Aba

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A primeira terapia gênica é aprovada nos Estados Unidos! Seria o começo da medicina personalizda?

Por:
Alejandra Viviescas 
 mariale88@gmail.com
No dia 31 de agosto foi aprovada nos Estados Unidos a comercialização da primeira terapia genética. Esta terapia utiliza células imunológicas do próprio paciente (linfócitos T), modificadas geneticamente, que reconhecem e destroem as células tumorais. Essa decisão é considerada como histórica por ser a primeira terapia desse tipo a ser aprovada neste país.
Fig 1. Células do sistema imunológico (Linfócito T; em branco) atacando uma célula tumoral (em vermelho).
Os medicamentos tradicionais contra o câncer atuam nas células tumorais (que se dividem rapidamente), mas também podem atuar nas células saudáveis dos pacientes, causando diversos efeitos colaterais. Nesse sentido, esta nova técnica, chamada de imunoterapia CAR-T, usa uma abordagem terapêutica mais personalizada, utilizando o próprio sistema imunológico  do paciente para se livrar do câncer.

Os linfócitos T são células presentes na corrente sanguínea, que, dentre outras funções, reconhecem e neutralizam células anômalas, como as infectadas por vírus ou as células cancerosas. Para que isso ocorra, os linfócitos T do paciente são retirados e modificados geneticamente para produzirem uma proteína (receptor) quimérica. Esse receptor localiza-se na parte externa do linfócito e reconhece proteínas específicas (antígeno) presentes nas células tumorais. Quando os linfócitos modificados (que produzem o receptor quimérico) são reinseridos no paciente, após aproximadamente três meses pode-se observar uma redução muito significativa do número de células tumorais.

Fig 2. Esquema de modificação das células imunes para reconhecimento de células tumorais.
O fato de ser um tratamento que é desenvolvido sob medida para cada paciente faz com que a imunoterapia CAR-T tenha algumas limitações. Umas delas, por exemplo, é que o mesmo só mostrou altos índices de cura (83%) em pacientes menores de 25 e que foram diagnosticados com um tipo específico de leucemia. Além disso, esse tratamento não pode, ainda, ser utilizado como primeira alternativa, sendo recomendado para aqueles pacientes que não foram curados pelos tratamentos convencionais. Porém, outras terapias similares estão sendo desenvolvidas e, provavelmente, serão aprovadas nos próximos anos. Futuramente, espera-se que o tratamento do câncer e de outras doenças genéticas possa ser mais personalizado e específico.

Sobre a autora: Bióloga e mestre em biologia pela Universidade Nacional da Colômbia, estudante de Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP-Botucatu. Editora desta página de divulgação científica.

Ficou curioso? Confira os seguintes links:

-Em Português
https://saude.abril.com.br/medicina/o-tratamento-que-reprograma-suas-proprias-celulas-contra-o-cancer/
http://www.bbc.com/portuguese/geral-41109338
https://g1.globo.com/bemestar/noticia/eua-autoriza-primeira-terapia-genetica-para-tratamento-de-cancer.ghtml
-Em inglês
https://www.cancer.gov/about-cancer/treatment/research/car-t-cells
https://www.sciencenews.org/blog/science-ticker/fda-approves-gene-therapy-treat-rare-cancer
http://www.sciencemag.org/news/2017/08/modified-t-cells-attack-leukemia-become-first-gene-therapy-approved-united-states?utm_source=sciencemagazine&utm_medium=facebook-text&utm_campaign=modifiedt-14963

Imagens originais retiradas e adaptadas de:
https://www.sciencenews.org/blog/science-ticker/fda-approves-gene-therapy-treat-rare-cancer
https://www.cancer.gov/about-cancer/treatment/research/car-t-cells


Compartilhar:
←  Anterior Proxima  → Inicio

0 comentários:

Postar um comentário

Seja um colaborador!

Postagens populares

Total de visualizações

Seguidores

Tecnologia do Blogger.