Aba


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Sangue tipo A, B, AB ou O são compatíveis? Experimento para ensino do sistema sanguíneo e transfusão


Por:
Talita Aleixo
talita.aleixo@ibb.unesp.br
 Ana Liz 
 lizuchida@gmail.com


Érica Ramos
erica.ramos00@gmail.com


O ensino dos conceitos de Ciência e Biologia apresenta muitas dificuldades de apropriação, além de adversidades decorrentes da infraestrutura da escola, que impossibilitam aos professores aplicarem atividades práticas. Apesar desse cenário, utilizar aulas práticas ou experimentais pode ajudar no desenvolvimento de conceitos científicos, além de permitir que os estudantes aprendam como compreender, objetivamente, o seu mundo e como desenvolver soluções para problemas complexos. Assim, é importante que o aluno seja capaz de manipular diferentes variáveis para testar possíveis hipóteses.
Dessa forma, diante das exigências de um ensino promissor, o grande desafio do educador de Ciências está em tornar o ensino de Biologia prazeroso e instigante, o qual possa levar o aluno a desenvolver o saber científico aplicado em seu cotidiano. Portanto, a utilização de atividades práticas, de fácil aplicação e que não precisem de muitos materiais pode ser uma ótima alternativa diante da a atual conjuntura do sistema de ensino.
Pensando na importância da experimentação para o ensino de ciências, a atividade prática descrita abaixo tem como objetivo auxiliar o ensino e a aprendizagem de conteúdos relacionados à caracterização dos grupos sanguíneos, à determinação do sistema ABO e a procedimentos de transfusão sanguínea:
               
Para essa aula prática será necessário a utilização dos seguintes materiais:
  • Copos contendo água.
  • Copos contendo café.
  • Copos contendo leite.
  • Copos contendo café com leite.
Materiais utilizados no experimento
 
Como realizar o experimento:
  1. Coloque um pouco de água nos copos de café, leite e café com leite. O que observar: Você irá perceber que as misturas não diferem das misturas iniciais. Assim: é possível afirmar que podemos adicionar água a essas misturas sem que ocorram modificações.
  2. Coloque um pouco de café nos copos de água e no de leite. O que observar: As misturas ficarão diferentes das misturas inicias. Dessa forma, adicionar café nos demais copos altera/modifica, visualmente, o que há neles. 
  3. Coloque um pouco de leite nos copos de água e de café. O que observar: Os resultados serão semelhantes ao experimento 2. Assim, as misturas ficarão diferentes das misturas iniciais e poderemos afirmar que não é possível misturar leite aos outros líquidos, pois estes se modificariam.
  4. Coloque um pouco de café com leite nos copos de água, de leite e no de café. O que observar: As misturas se alteram e, dessa forma, não é possível misturar café com leite aos demais líquidos, uma vez que estes ficarão modificados.
  5. Coloque um pouco de café, leite e água no copo de café com leite. O que observar: As misturas não irão se alterar. Dessa forma, podemos afirmar que é possível misturar café, leite ou água no copo de café com leite, pois este não altera nenhum dos líquidos.
O que podemos aprender sobre o sistema sanguíneo com a mistura dos líquidos?
Primeiramente, o professor deve explicar que cada mistura representa, de maneira didática, um tipo sanguíneo diferente do nosso sistema:
  • Copo com água: tipo O
  • Copo com leite: tipo A
  • Copo com café: tipo B
  • Copo com leite e café misturados: tipo AB
Na transfusão de sangue, ocorre algo semelhante aos cinco experimentos que fizemos anteriormente. O sistema sanguíneo A, B, AB e O indica que algumas pessoas têm o tipo de sangue A, outras têm o tipo de sangue B, outras pessoas têm o sangue AB e outras têm o tipo O.
Comparando com as observações feitas nas misturas dos líquidos, o professor pode discutir em sala de aula que:
  1. TIPO O: A água foi a única capaz de ser adicionada em todas as outras misturas sem alterá-las. Portanto, o grupo O pode doar sangue para todos os grupos sanguíneos A, B, AB, além dele mesmo (O). Por essa razão, o grupo O é chamado doador universal. Repare que, a água não foi capaz de receber nenhuma outra mistura, além dela mesma, em seu copo sem se alterar. Então, apesar de doar para todos os demais tipos, o tipo O só recebe sangue O.
  2. TIPO AB: Verificamos que o copo de café com leite foi o único tipo sanguíneo capaz de receber líquidos de todos os outros copos sem que sua mistura original fosse modificada. Assim ocorre com o tipo sanguíneo AB, que é receptivo a qualquer outro tipo sanguíneo, por isso, o grupo AB é chamado receptor universal. Como não é possível adicionar café com leite aos outros líquidos, água, café e leite, sem que ocorram alterações, o grupo AB não pode ser doador para nenhum dos tipos sanguíneos diferentes dele mesmo.
  3. TIPO A: Como só é possível adicionar um pouco de café no copo de café com leite, o grupo A pode doar sangue somente para o grupo AB e para ele mesmo (A). No entanto, ele pode receber somente do tipo O e dele mesmo.
  4. TIPO B: Como só é possível adicionar um pouco de leite no copo café com leite, o grupo B pode doar sangue para o grupo AB e para ele mesmo, mas só pode receber sangue dos tipos O e dele mesmo.
Esse experimento é ótimo para ilustrar as diferenças entre os tipos sanguíneos e as consequências dessas diferenças para a transfusão sanguínea. Vale a pena fazer um quadro comparativo na lousa e evidenciar o que, em termos biológicos, diferencia um tipo sanguíneo do outro, abordando seu caráter hereditário.

Sobre as autoras:  
Talita Aleixo: Bióloga e mestre em Genética pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho Câmpus de Botucatu/SP, estudante de Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela mesma instituição.

Ana Liz: Bióloga, mestranda em Zoologia pelo Instituto de Biociências de Botucatu - UNESP.

Érica Ramos: Bióloga e Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.



Quer saber mais sobre o assunto?
Nagem, R.L. & Carvalhes, D.O. Abordagem de Analogias em Ambientes Interacionistas na Educação. IV Encontro Nacional de Pesquisa e Educação em Ciências.

Setúval, F.A.R. & Bejarano, N.R.R. 2000. Os modelos didáticos com conteúdo de genética e a sua importância na formação inicial de professores para ensino de ciência e biologia. VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências
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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Os genes "controladores"

Estes genes não codificadores são mesmo os que mandam na parada hein??
Tradução da tirinha:

- Olá, eu sou o gene da insulina e este é o gene da melanina. Que proteínas vocês tem instruções para sintetizar?
- Nós somos DNAs não codificadores. Não temos instruções para sinterizar nenhuma proteína, mas nós fazemos outras coisas. Uns de nós controlam outros genes.
- Nossas, uau. Isto é estranho.
- Não, não é.
- Você tem razão. Não é mesmo.
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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Já imaginou um mundo sem café?

 
Por:
Alejandra Viviescas 
 mariale88@gmail.com
Nos últimos tempos, as discussões sobre o aquecimento global têm ganhado bastante destaque nos noticiários, principalmente devido a sua associação a diversas catástrofes naturais. O que não imaginamos é que o aquecimento global está sempre presente e, na maioria das vezes, é notado por meio de mudanças sutis, mas com o potencial de alterar significativamente as nossas vidas.

Um exemplo disso é a redução de zonas produtivas para diversos cultivos. A sobrevivência de todos os seres vivos no planeta depende de fatores ambientais, como mostra a figura abaixo, e para que uma cultura de determinado alimento tenha alta produtividade é necessário a presença de condições ambientais ótimas. Então, não é surpreendente que o aquecimento global esteja alterando a zonas de produção de muitos alimentos.

Figura 1. Mudanças na abundância de organismos em função da temperatura
Um estudo publicado no começo de setembro aborda como o aquecimento global pode alterar as plantações de café. Pesquisas anteriores prediziam que para 2050 a produção de café seria reduzida em aproximadamente 30%. Entretanto, os dados do novo estudo resultaram em predições bem mais alarmantes, sugerindo uma redução em torno de 73% a 88% na produção de café do maior produtor do mundo, a América Latina.

O novo estudo leva em consideração não somente o efeito da mudança de temperatura nas plantações de café, mas também nas abelhas, os polinizadores do café. Para se manter níveis ótimos de produção de café seria necessário que a novas zonas de distribuição das plantas abrigassem pelo menos três espécies de abelhas. O grande problema é que o estudo prediz que a diversidade de abelhas seja reduzida nos próximos anos, como mostra a figura abaixo.

Figura 2. Mudanças esperadas na diversidade de espécies de abelhas para o ano 2050 
Como a temperatura tende a ser menor em maiores altitudes, a novas zonas com alta produção de café estarão localizadas em países como a Colômbia ou o México, onde o café é tradicionalmente semeado em áreas de maior altitude. Assim, espera-se que tais regiões sejam menos afetadas pelo aquecimento global do que países como a Nicarágua, Honduras e a Venezuela, onde o café é tradicionalmente plantado em zonas baixas. O conhecimento dessas informações permitirá que as comunidades que dependem economicamente da produção de café (aproximadamente 100 milhões de pessoas) se preparem para o futuro e façam mudanças que lhes permitam sobreviver.

O estudo relatado neste artigo fala especificamente do café. Porém, é muito importante pensar que predições deste tipo existem para os mais variados tipos de alimentos. Também é importante lembrar que a produção de aproximadamente um terço dos alimentos de todo o mundo é beneficiado pela presença de abelhas, ou seja, a sua diminuição também é preocupante em termos gerais.

Sobre a autora: Bióloga e mestre em biologia pela Universidade Nacional da Colômbia, estudante de Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP-Botucatu. Editora desta página de divulgação científica. 

Ficou curioso? Confira os seguintes links:

-Em português:
https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2017/09/aquecimento-global-poe-em-risco-producao-de-cafe-latino-americano-9895172.html
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2017/07/12/internas_economia,609114/producao-de-cafe-pode-diminuir-em-vista-de-mudancas-climaticas.shtml
-Em inglês:
http://www.pnas.org/content/early/2017/09/05/1617940114.full.pdf
http://www.sciencemag.org/news/2017/09/biggest-producer-coffee-could-see-bean-growing-land-
shrink-nearly-90-2050
http://nhpr.org/post/red-cross-worker-slain-afghanistan-all-she-wanted-do-was-help-0#stream/0

Imagens originais retiradas e adaptadas de:
http://slideplayer.com/slide/3515286/
http://www.pnas.org/content/early/2017/09/05/1617940114.full.pdf

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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Cadeia alimentar

Jiboia carrega seu alimento, um gavião, para o alto da árvore em Pedra Grande, Rio Grande do Norte.
Fotografia de Pablo Henrique Limeira Vianna de Souza, originalmente publicada na coluna SuaFoto/NatGeo
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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Minha queria pesquisa - Arthur Casulli de Oliveira



Arthur Casulli de Oliveira– Biólogo 
Mestre em Ciência Biológicas (Genética) 
Estudante de Doutorado UNESP  
Instituto de Biociências de Botucatu

Minha paixão por biologia vem desde o Ensino Médio. Entretanto, nesta época eu relutava em fazer Biologia, pois não queria trabalhar com nada relacionado ao que via na escola. Foi só no segundo semestre do meu 3º ano do ensino médio que finalmente me dei conta do erro do meu pensamento. Cursei minha graduação na UNESP de Botucatu, me formei em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas e vi que dar aula, ao contrário do que imaginava no passado, é uma coisa que tenho prazer em fazer. Durante minha graduação, fiz estágio de Iniciação Científica na Paleontologia, Morfologia e na Genética, onde finalmente descobri a área que gostaria de atuar pelo resto dos meus dias acadêmicos. Fiz meu mestrado em Genética também na UNESP e agora curso o Doutorado, no mesmo laboratório.
Durante todo o meu período na Genética estudei, e ainda estudo, pequenas moléculas chamadas de microRNAs (miRNAs), que são moléculas responsáveis por controlar a expressão de nossos genes. Agora no doutorado, decidi me aprofundar um pouco mais nestas pequenas moléculas, buscando entender como é todo o mecanismo de produção delas dentro da célula. E por que decidi fazer isso? Pois os vertebrados como os peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, apesar de todas as diferencias anatômicas que a gente pode observar, possuem suas sequências de DNA altamente semelhantes. Para vocês terem uma noção, 70% dos genes que produzem proteínas são similares entre nós, seres humanos, e o peixe que eu trabalho, conhecido como zebrafish ou paulistinha (nome científico: Danio rerio). Mais ainda, vocês já pararam para pensar como temos órgãos tão diferentes, com funções e formas tão diversificadas, se o DNA de todas as nossas células é igual? Alguns dos grandes responsáveis por promover todas essas variações são justamente os miRNAs.
As moléculas de miRNAs, assim como os genes que produzem proteínas, são muito semelhantes entre as espécies, não só de vertebrados, mas de todos os animais. Existe até um miRNA que é 100% igual desde as águas-vivas até os humanos!!! Mas o que vem intrigando os pesquisadores é que, apesar de as sequências destas moléculas serem iguais ou muito parecidas, a quantidade em que ela é produzida entre diferentes espécies, ou entre diferentes órgãos dentro de uma mesma espécie é altamente variável. Como se isso já não fosse o suficiente para atiçar a curiosidade de diversos pesquisadores, cada gene de miRNA é capaz de produzir duas moléculas diferentes, e qual delas vai ser produzida em maior escala também varia de espécie para espécie e de órgão para órgão. Mas, e daí? O que isso representa na prática?
E daí que cada uma das duas moléculas que um único gene de miRNA é capaz de produzir regula funções completamente diferentes, é responsável pelo crescimento saudável de órgãos completamente diferentes e estão presentes numa infinidade de doenças. Aqui vai um exemplo prático interessante para vocês. O zebrafish, peixe que estudo, é capaz de regenerar uma grande quantidade de órgãos depois de uma lesão, como por exemplo o olho, o coração, o cérebro, as nadadeiras, e assim por diante. E como nós sabemos, nós humanos temos uma capacidade regenerativa muito baixa. Se sofremos um derrame, por exemplo, teremos sequelas pelo resto de nossas vidas. Mas e se nós conseguíssemos nos recuperar? E se nosso corpo já possuísse todos os genes necessários para que nosso coração e nosso cérebro se regenerassem que nem o zebrafish, mas estes genes apenas estivessem desligados ou suas moléculas existissem em quantidades diferentes entre nós e o zebrafish? Foi justamente isso que um grupo de pesquisa da Universidade da Califórnia, nos EUA, se perguntou. Eles viram que durante a regeneração do coração do zebrafish, as moléculas de dois miRNAs diminuem em quantidade, permitindo que o coração se recupere, enquanto que nos camundongos, estes miRNAs permaneciam inalterados, e seu coração não se recuperava. Quando eles forçaram a alteração da quantidade destas moléculas no coração dos camundongos, seu coração apresentou grande melhora, aumentando em grande escala sua recuperação.
Agora, durante meu doutorado, eu quero tentar compreender como a célula consegue promover sozinha essa alteração na quantidade de moléculas de miRNAs, e recuperar um órgão danificado sem precisar que ninguém force essa troca. Assim, seríamos capazes de entender melhor não só como uma única célula consegue produzir órgãos tão diferentes, mas conseguiríamos, no futuro, recuperar traumas em órgãos que hoje em dia são irreversíveis!!
Tudo isso pode estar soando um pouco como o Dr. Connors, o Lagarto, vilão do homem-aranha. Mas não se preocupem, pois a ciência nos filmes é bem distinta da realidade, como vocês podem ver na nossa coluna “CSI: investigando séries e filmes”.
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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Depressão na pós graduação: os reflexos de um artigo publicado


Por Ana Liz Uchida Melo
lizuchida@gmail.com



Estudantes esgotados, insônia, falta de motivação, depressão. Essas são palavras comuns em consultórios de psicologia. Os transtornos mentais têm se tornado frequentes e há quem diga que a depressão é a doença do século e, talvez, seja mesmo. O fato é que esses problemas estão cada vez mais incidentes também no meio acadêmico.
O ambiente acadêmico é um ótimo espaço para o crescimento pessoal e profissional, porém ele pode ser nada amigável em alguns aspectos. Egos inflados, assédio moral e a falta de perspectivas quando o estudante conclui o seu trabalho são muito comuns na academia. Fatores como esses podem ter alguma influência no atual cenário de saúde mental do pós graduando.
Uma pesquisa realizada aqui no Brasil aponta cerca de 50 % de incidência de doenças mentais da pós graduação. É difícil saber com precisão, uma vez que muitos dos acometidos pelos transtornos não procuram ajuda. A massa que hoje é responsável pelo andamento da ciência no Brasil pode estar doente. Os transtornos mais frequentes são problemas no sono (Insônia, sono não restaurativo), dificuldades de concentração, inabilidade de assistir aulas e fazer pesquisas, aumento da irritabilidade, mudanças no apetite e dificuldades de interação social. E pior, as instituições de ensino e seus órgãos superiores, que deveriam prestar atenção nisso, não estão dando a mínima.
Esses transtornos estão ocorrendo de forma generalizada no mundo. Um estudo publicado pela Revista Nature sugere que as taxas de depressão entre os estudantes de pós graduação dobraram nos últimos 15 anos. No entanto, algumas universidades de outros países estão propondo serviços de ajuda, diferentemente do Brasil.
Outra questão que favorece a manutenção do ambiente acadêmico estressante é o atual sistema da pós graduação. Atualmente, esse sistema consiste na produção máxima de artigos científicos, sistema esse impulsionado pelo mecanismo de avaliação da CAPES que funciona de acordo com uma escala móvel, ou seja, quando um programa aumenta seu quociente, produzindo um determinado número de artigos, outro programa deve produzir ainda mais para poder alcançar tal nota.
Tal modelo incentiva a competição entre pessoas que poderiam se unir, no qual a ideia de meritocracia (de quem só alcança seu objetivo, quem se sacrifica) está muito ligada a esse atual cenário em que se encontra o meio acadêmico. O problema é que a pesquisa científica não é compatível com esse modelo. Aparentemente, a ciência se tornou mais uma máquina resultado do nosso atual modelo econômico, no qual os alunos e as alunas são as engrenagens e o produto final seria o artigo científico.
É necessário olhar o problema e tomar uma atitude. A ciência e a educação não tem sido as prioridades do nosso atual governo e isso pode implicar (já está implicando) em um maior “sucateamento” do ensino e isso reflete em todos, mas principalmente nos estudantes. Em um sistema que já é desgastante com os recursos, pode se tornar um inferno com a falta destes, portanto, perceber as demandas não só físicas, mas as mentais da nossa pós graduação é importantíssimo para que ela continue a progredir.

Sobre a autora: Bióloga, mestranda em Zoologia pelo Instituto de Biociências de Botucatu - UNESP

Referências
http://www.anpg.org.br/estresse-e-depressao-na-pos-graduacao-uma-realidade-que-a-academia-insiste-em-nao-ver/

https://www.nature.com/naturejobs/science/articles/10.1038/nj7419-299a



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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Darwinian Rhapsody

A qualidade das musicas está evoluindo cada vez mais não é mesmo?
na verdade não está não
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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Novos tratamentos para depressão com foco no processo inflamatório




Por:
João Paulo Marcondes 
jpcastromarcondes@gmail.com
Há um bom tempo, mais precisamente em 1883, o psiquiatra Julius Wagner-Jauregg deparou-se com uma paciente acometida por uma infecção de pele e que apresentava sintomas de delírio devido à febre alta. Quando a febre baixou, a paciente não apresentava mais tais sintomas.

A partir desse momento, Wagner-Jauregg dedicou-se a entender a possível relação existente entre a febre alta e as alterações mentais e, para induzir a febre alta nos pacientes, ele utilizou diversos patógenos. Ele obteve resultados importantes infectando pacientes com sífilis (em fase terminal, quando a doença já esta afetando o cérebro, levando a alterações neurológicas) com o sangue de soldados com Malária e observou que seis dos nove pacientes com sífilis melhoraram consideravelmente. Wagner-Jauregg ganhou o Nobel de Medicina em 1927 e a malarioterapia foi utilizada para se tratar sífilis até 1930.

Recentemente, diversos pesquisadores reconheceram que o processo inflamatório tem papel importante nas doenças mentais e que pode explicar os resultados obtidos por Jauregg no começo do século passado. Um estudo que avaliou mais de 73.000 pessoas mostrou que os níveis de uma proteína inflamatória (proteína C-reativa ou PCR) estavam elevados em pacientes com depressão. Outro estudo, publicado este ano, mostrou que diversos genes relacionados ao processo inflamatório estavam alterados no sangue de pacientes com depressão. Além disso, os pesquisadores acreditam que analisar o perfil de “funcionamento” de tais genes, ou seja, se estão mais ou menos ativos ou não ativos, pode ajudar na escolha do melhor tratamento. Um dado interessante é que a maioria das pessoas resistentes aos tratamentos convencionais podem apresentar altos níveis de inflamação.

Diversos estudos clínicos estão testando drogas anti-inflamatórias para tratar pacientes com depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia e sugerem que a inflamação pode ser a causa de tais doenças. Realmente sabe-se que algumas proteínas inflamatórias podem chegar ao cérebro e alterar a ação de neurotransmissores que estão relacionados à depressão (ver figura abaixo).

Representação de como a inflamação pode alterar os neurotransmissores e outros processos no cérebro, levando à depressão.
Em estudo clínico recente, metade das pessoas com níveis elevados de inflamação (altos níveis de PCR) apresentaram melhora em 50% do quadro de depressão quando tratadas com infliximab (medicamento que inibe uma proteína inflamatória chamada fator de necrose tumoral ou TNF). Ano passado, outro estudo confirmou também que, de um modo geral, pessoas com depressão e com altos níveis de inflamação podem responder de maneira inadequada aos tratamentos convencionais com antidepressivos e sugere que, para esses casos, a associação com outros antidepressivos ou drogas anti-inflamatórias seja necessária. Espera-se que futuramente testes que detectem moléculas específicas no sangue auxiliem o psiquiatra na escolha do melhor tratamento para cada paciente. Embora os tratamentos com anti-inflamatórios tenham apresentado bons resultados, sua comercialização ainda poderá demorar mais alguns anos.

Sobre o autor: Biólogo, pesquisador e apaixonado por animais abandonados.

Ficou curioso? Confira os seguintes links:

-Em Português
goo.gl/KWV6tS
-Em inglês
goo.gl/dqri6w
goo.gl/Cd2q57
goo.gl/SEVZZN
goo.gl/zXXb9g
goo.gl/EZfTxT
goo.gl/igmPyT
goo.gl/nsXeVm
goo.gl/PWFi77

Imagens originais retiradas e adaptadas de:
goo.gl/ur9dqr
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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Anéis de Saturno



Imagens dos anéis de Saturno, fotografadas pela sonda Cassini, lançada pela NASA há 20 anos. A sonda Cassini enviou suas últimas imagens dia 24 de setembro de 2017, quando se desentegrou na atmosfera de Saturno. 
Imagens retiradas do site do NYT
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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Desvendando as distâncias no espaço

Por:
  Camilo Buitrago Casas 
   milo@ssl.berkeley.edu
Estamos acostumados a medir intervalos comuns, como a altura dos nossos corpos ou a distância de casa até o supermercado. Mas, alguma vez você já se perguntou como os astrônomos medem as distâncias da Terra até a Lua, as estrelas, ou o limite do Universo? Esta é uma pergunta bem interessante, que exige uma grande variedade de conceitos em astronomia para compreendê-la.

Vamos imaginar, por um momento, que pudéssemos colocar trinta Terras numa linha reta. A distância entre a primeira Terra e a de número 30 seria mais ou menos a mesma distância entre o nosso planeta e a Lua, de aproximadamente 384.400 km.

Um avião comercial demoraria quase um mês para viajar essa distância, mas a luz consegue fazer essa mesma viagem em apenas 1,3 segundos. Interessante, não é? A luz viaja à uma velocidade constante no vácuo, o que permite aos astrônomos expressar distâncias astronómicas em termos de tempo multiplicado pela velocidade da luz. Como mostra a figura abaixo.

Figura 1. Distância da terra aos principais corpos celestes, expressada em tempo de viagem da luz.

As distâncias no universo encontram-se numa grande variedade de escalas, e implicam no uso de diferentes técnicas. Medições diretas só podem ser feitas até os corpos mais próximos, como a lua e os planetas. Mas, para medir a maioria das distâncias, os astrônomos devem usar correlações entre as técnicas.

A distância da Terra até o sol é uma medida chave em astronomia, conhecida como Unidade Astrônomica. Ela foi determinada usando observações simultâneas do trânsito de Vênus. Uma Unidade Astronômica corresponde a aproximadamente 150 milhões de quilômetros e é usada para medir distâncias dentro do nosso sistema solar, como mostra a figura abaixo.

Figura 2. Distância entre o sol e os planetas do sistema solar expressas em Unidades Astronômicas.

Para medir a distância até estrelas vizinhas, os astrônomos usam um método chamado parallax, que é o movimento aparente de um objeto celeste a respeito da estrela mais distante, visto em duas linhas de visão. Para isso a posição do objeto é medida uma vez num dia e uma segunda vez exatamente 6 meses depois, quando a Terra completa meia órbita. Isto cria uma base que permite triangular a posição de uma estrela próxima, e assim, calcular sua distância. Estes cálculos são úteis para medir até 400 anos luz, depois desse ponto, outras aproximações devem ser usadas.

Figura 3. Representação gráfica das medições por parallax.

Para determinar as distâncias de objetos celestes mais afastados, os astrônomos implementam métodos indiretos baseados nas “velas padrão” que são objetos astronômicos com luminosidade conhecida. Um exemplo simples é achar uma estrela que sabemos que seja tão brilhante quanto o sol, assim poderíamos calcular a sua distância observando e comprando sua luminosidade com àquela do nosso sol. O princípio das velas padrão é mostrado na figura abaixo. Dependendo da distância, diferentes corpos celestes são usados como velas padrão.

Figura 4. A aproximação das velas padrão para medir distâncias

Várias técnicas devem ser usadas para conseguir medir as grandes distâncias no universo observável. É incrível como uma ação, aparentemente tão simples, como medir as distâncias do nosso entorno cósmico requer um grande número de conceitos e ideias. Por isso, muitos astrônomos trabalham para assumir este desafio.

Sobre o autor: Físico pela Universidade Nacional da Colômbia, Mestre em Ciências-Astronomía do Observatório Astronômico Nacional, Colômbia. Estudante de Doutorado em Física no laboratório de Ciências Especiais Na Universidade de California Berkeley, EEUU. Sua área de atuação são as Ciências do Espaço. Faz parte da equipe científica ‘Focusing Optics X-ray Solar Imager’ (FOXSI), que faz parte do programa LCAS da NASA.

Texto traduzido para o português a partir da versão original em inglês por Alejandra Viviescas, Editora da coluna "Desvendando uma técnica".

Imagens orginais retiradas e traduzidas de:
https://www.quora.com/1-light-year-is-equal-to-how-many-years-of-the-Earth#!n=30
http://www.griffithobservatory.org/exhibits/guntherdepthsofspace_ouraddress-solarsystem.html
Providenciada pel autor
http://hyperphysics.phy-astr.gsu.edu/hbase/Astro/stdcand.html

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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

CSI 004: Frankenstein



Por:



Camila Cristina
cris_camila@yahoo.com;br


A história de Frankenstein ganhou várias versões ao longo do tempo e se tornou bem popular. Além das representações em livros, podemos encontrá-lo em filmes, séries, desenhos e jogos. Porém, o Frankenstein surgiu em um livro publicado em 1818 pela autora Mary Shelley (1797-1851). Não sei se vocês sabem, mas o nome Frankenstein, na verdade é uma referência ao nome de seu criador, Victor Von Frankenstein. Victor era um cientista que estudava química, biologia, filosofia natural e anatomia, e criou em seu laboratório um “novo” ser humano utilizando órgãos e partes do corpo de cadáveres que foram costurados.


Porém se pararmos para pensar, não estamos muito longe dos feitos de Victor Frankenstein! É claro que não é possível criar um ser humano inteiramente “novo” a partir de cadáveres. Entretanto, com o avanço da medicina, os transplantes de órgãos tornaram-se uma prática rotineira e de grande importância para as pessoas. Há inúmeros casos de transplante de medula óssea, coração, pulmão, rins, fígado, pâncreas, intestinos, córneas, osso, válvulas cardíacas e tendões. Além disso, há equipes médicas que têm tido sucesso no transplante de rostos e membros, como mãos e pernas.

O transplante nada mais é do que a transferência de células, tecidos e órgãos vivos com a finalidade de restabelecer uma função perdida. Essa transferência pode ser feita quando o material (célula, tecido ou órgão) é retirado da própria pessoa e implantado em um local diferente do corpo ou quando o material de um doador, vivo ou morto, é implantado no paciente (receptor). Segundo o registro brasileiro de transplantes, o número de transplantes entre janeiro e junho de 2017 foi de 20.890 no total, sendo 4.208 de órgãos 15.429 de tecidos e 1.253 de medula óssea. Os dados retirados desse registro podem ser observados na figura a seguir:
Número de Transplantes de Órgãos Sólidos e Tecidos entre janeiro e junho de 2017. PMP = por milhão de população 
Atualmente, os holofotes estão direcionados para o transplante de cabeça, programado para acontecer no final de 2017. Este projeto é liderado pelo neurocirurgião italiano Sergio Canaveroe e pelo cirurgião e ortopedista chinês Xiaoping Ren. Para realizar o transplante, dois times de cirurgiões (estimado um número de 150 profissionais) trabalharão rapidamente e simultaneamente para separar as cabeças de dois homens ("paciente" e "doador") para implantar a cabeça em um corpo compatível e com morte cerebral confirmada. Até o momento o voluntário para essa cirurgia é o russo Valery Spiridonov, portador da síndrome de Werdnig-Hoffman uma condição degenerativa muscular que não possui cura.

Imagem do estudo de Xiao-Ping Ren sobre o transplante de cabeça em camundongos.
Entretanto, muitos médicos e cientistas são contra o procedimento que Canavero quer realizar, devido a questões éticas e técnicas. Dentre os aspectos éticos envolvidos podemos citar: submissão do paciente a procedimentos que podem ser muito dolorosos; não é um procedimento terapêutico, mas um para prolongar a vida; o paciente será exposto a riscos enormes e desconhecidos; caso a conexão da medula espinal seja bem sucedida, o paciente precisará tomar uma grande quantidade de imunossupressores e não há garantia de que a rejeição será resolvida tomando esses medicamentos; não há como saber se o transplante manterá a mente, personalidade e consciência do paciente intacta; entre outras questões.

O atual voluntário para o transplante, Valery Spiridonov.
Embora Canavero e sua equipe alegam ter realizado estudos em animais, existem muitas dúvidas a serem respondidas, e a comunidade científica está cética. Portanto, antes de tal procedimento ser aplicado em humanos, seriam necessários mais estudos para o refinamento da técnica e, assim, garantir sua eficácia. Mas uma coisa podemos confessar, se esse procedimento for aperfeiçoado, será uma façanha digna de Victor Frankenstien! E você, qual sua opinião sobre essa cirurgia?!


Se você quiser assistir alguns filmes e/ou séries que aparecem ou são sobre o Frankenstien aqui está uma lista com as principais séries e filmes!
Séries:
Penny Dreaful (2014-2016)
As crônicas de Frankenstien (2015)

Filmes:

Frankenstein (1931)
A noiva de Frankenstein (1935)
O filho de Frankenstein (1939)
O jovem Frankenstein (1974)
Frankenstein de Mary Shelley (1994)
Frankenweenie (2012)
Hotel Transilvãnia (2012 e 2015)
Frankenstein: entre anjos e demonios (2014)
Victor Frankenstien (2015)

Sobre a autora: Biomédica e mestranda em Genética Humana e Médica pela UNESP de Botucatu.

Para mais detalhes sobre transplantes:
CANAVERO, S. et al. Neurologic foundations of spinal cord fusion (GEMINI). Surgery (United States), v. 160, n. 1, p. 11–19, 2016.
CARTOLOVNI, A.; SPAGNOLO, A. Ethical considerations regarding head transplantation. Surgical Neurology International, v. 6, n. 1, p. 103, 2015.
REN, X. P. et al. Allogeneic head and body reconstruction: Mouse model. CNS Neuroscience and Therapeutics, v. 20, n. 12, p. 1056–1060, 2014.
https://saude.abril.com.br/blog/tunel-do-tempo/o-medico-que-promete-fazer-um-transplante-de-cabeca-em-2017/
http://nationalpost.com/features/head-transplant
http://saude.ig.com.br/transplantes/
http://www.abto.org.br/abtov03/Upload/file/RBT/2017/rbt-leitura-sem.pdf

Para mais detalhes sobre o Frankenstein:
http://gph.is/2biWfop
http://guiadoscuriosos.uol.com.br/categorias/2988/1/monstros-classicos.html
http://www.verdadeirahistoria.com.br/2015/06/a-verdadeira-historia-de-frankenstein.html

Imagens retiradas:
REN, X. P. et al. Allogeneic head and body reconstruction: Mouse model. CNS Neuroscience and Therapeutics, v. 20, n. 12, p. 1056–1060, 2014.



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