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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Realidade ou ficção: Teletransporte em 2017

 
Por: Érica Ramos 
erica.ramos00@gmail.com


Quem não se lembra do teletransporte que ocorria em séries como “Star Trek” e “Power Rangers”,  ou ainda, no filme “A fantástica fábrica de chocolates”? Pois então… A técnica que aparece na ficção é o clássico teletransporte, que se refere à transferência de matéria ou energia de um ponto a outro sem que a distância entre eles seja percorrida.
Entretanto, até o momento, o único teletransporte efetivamente realizado pelos cientistas é de outro tipo, denominado teletransporte quântico.
Mas o que seria teletransporte quântico?
Nesse caso, não é transporte de energia, nem de matéria. Na verdade, é o teletransporte de informações de partículas elementares.
Mas como assim?
Quando duas partículas são formadas no mesmo espaço e ao mesmo tempo, elas se encontram “entrelaçadas” e, mesmo após serem separadas por distâncias enormes, continuam conectadas. Sabendo-se que essas partículas elementares possuem números quânticos seria possível mensurar tais informações em partículas “entrelaçadas”. Desta forma, se mensurarmos algum dos números quânticos (o spin, por exemplo) em uma partícula aqui no Brasil, interferimos na outra partícula entrelaçada na China e, por consequência, sabemos qual o spin da outra partícula. O mais intrigante é que, de alguma maneira, após a interferência ser gerada em uma das partículas há influência sobre o estado da outra partícula, sem que nada esteja agindo sobre ela diretamente.
Nesse sentido, após vários experimentos, um grupo de cientistas chineses conseguiu, em julho de 2017, realizar o teletransporte quântico a longas distâncias. Eles conseguiram teletransportar um fóton por mais de 500 km de distância, entre o satélite Micius e duas estações de pesquisa (1200 km de distância entre elas).
Utilizando um feixe de laser (formado quando a luz passa por um cristal localizado no satélite), eles emitiram pares de fótons entrelaçados que, por sua vez, foram separados e redirecionados para as estações de pesquisa Delingha e Lijiang (Figura 1). As estações ficam no alto das montanhas do Tibet, o que facilita o processo de teletransporte, pois diminui as interferências entre as estações e o satélite. Durante o processo, os cientistas conseguiram realizar  com sucesso o teletransporte de 911 fótons.
Figura 1: Ilustração do experimento realizado para teletransporte quântico de fótons.

O que podemos esperar agora?
Mais satélites como o Micius serão lançados pelos chineses nos próximos 5 anos. E acredita-se que essa tecnologia, se bem desenvolvida, possa levar à comunicação quântica, sendo utilizada em computadores quânticos.

Sobre a autora: Bióloga e Mestre em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP, apaixonada pelo tema Educação e, também, editora desta página de Divulgação Científica. No momento atua como aluna de doutorado na UNESP, na área de Genética.

Quer saber mais? Veja os links abaixo:
-Em português
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/07/cientistas-teletransportam-particula-da-terra-para-o-espaco-pela-primeira-vez.html
-Em inglês
http://www.sciencemag.org/news/2017/06/china-s-quantum-satellite-achieves-spooky-action-record-distance
https://www.technologyreview.com/s/608252/first-object-teleported-from-earth-to-orbit/
Imagem original retirada de:
http://www.sciencemag.org/news/2017/06/china-s-quantum-satellite-achieves-spooky-action-record-distance
https://arxiv.org/abs/1707.00934

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