Aba

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Minha Querida Pesquisa - Rita de Cássia Viveiros



Sou pós doutoranda no Instituto de biotecnologia (IBTEC), supervisionada pelo Prof. Paulo Ribolla e, há treze anos, trabalho com o parasita Leishmania, que é um protozoário (seres unicelulares, pertencente ao reino protista) parasita causador da doença leishmaniose. Esse parasita afeta tanto o homem quanto animais domésticos e silvestres, sendo o cão o principal reservatório.
Fiz biologia na UNESP de Ilha Solteira, onde iniciei a pesquisa com leishmaniose. Após o termino da faculdade, entrei no mestrado em genética, na UNESP de Botucatu, em seguida transferi para o Doutorado direto, defendi a tese intitulada como “Envolvimento da Proteína Telomérica “Replication Protein A-1” na resposta a danos nos telômeros de Leishmania amazonensis (LaRPA-1)”. Que complexo não é mesmo? Que específico! O que são telômeros? Qual a utilidade disso? Resumindo, os telômeros (figura a seguir) são trechos de DNA(s) localizados nas pontas dos cromossomos, que são estruturas compostos por DNA e proteínas e são essenciais para manter a integridade do genoma, que nada mais é, que um código genético onde estão todas as informações hereditária dos seres vivos. Fazendo uma analogia, os telômeros podem ser comparados com as pontas dos cadarços de sapatos, que funcionam como uma capa protetora, associado a ele estão inúmeras proteínas vitais para o desenvolvimento de um ser vivo.

As proteínas associadas aos telômeros são conhecidas e estudadas em vários seres vivos e sabe-se que são importantes e vitais, por isso o grupo da prof. Maria Isabel Cano resolveu pesquisar as proteinas teloméricas de leishmania, isto poderá auxiliar na compreensão de mecanismos biológicos do parasita e poderá gerar conhecimento para posteriores estudos, como auxiliar no desenvolvimento de medicamentos e terapias anti-parasitarias.
Meu trabalho no doutorado contribui para puxar um fio do complexo e árduo trabalho desenvolvido pelo grupo, no desvendamento das funções das proteínas teloméricas em Leishmania.
Durante o pós doutorado continuei trabalhando com Leishmania e leishmaniose, porém com uma abordagem direta, trabalhando com pacientes do hospital Estadual de Bauru. Ao contrário de que muitos pensam, a leishmaniose mora bem do nosso lado; a cidade de Bauru, aproximadamente 100Km da cidade de Botucatu, ocupa o segundo lugar no ranking da leishmaniose no Estado de São Paulo, com registro de óbitos humanos, perdendo apenas para Araçatuba, cidade que há anos vive uma epidemia da doença. O diagnóstico clínico no homem, assim como no cão, é complexo, e apresentam limitações, dessa forma, é necessário o desenvolvimento e padronização de ferramentas que sejam capazes de promover um diagnóstico preciso e rápido, já que a cura depende do diagnóstico rápido e correto.
Neste projeto de pós-doutorado financiado pela FAPESP buscamos padronizar técnicas moleculares de diagnostico (PCR e qPCR), para ser utilizado na rotina e em larga escala, em laboratórios de saúde Pública, ambas as técnicas buscam encontrar DNA do parasita em amostras de pacientes suspeitos para leishmaniose, além de comparar esta técnica com os demais diagnósticos que são normalmente utilizados para leishmaniose em laboratórios de Saúde Pública.
Neste mesmo projeto de pós doutorado, também estudamos uma proteína chamada MBL, responsável por “ajudar” o sistema imunológico a combater diversas doenças, inclusive a leishmaniose. Todos os indivíduos humanos carregam informações no seu DNA para “fabricar” proteínas, como a MBL por exemplo, no entanto, como todas as pessoas são “diferentes”, as sequencias de DNAs responsáveis por fabricar uma determinada proteína, os genes, podem variar entre as pessoas, são os chamados polimorfismos genéticos, dessa forma, dizemos que os indivíduos apresentam genótipos diferentes para a mesma proteína, ou seja o conjunto de genes para fabricar uma determinada proteína pode apresentar algumas modificações (mutações) entre pessoas diferentes.
Alguns estudos realizados mostraram que, quando os genes responsáveis por fabricar a MBL encontra-se modificado, ou seja com uma mutação (modificação), pode estabelecer uma proteção ao indivíduo contra a leishmaniose, ou caso a doença se manifeste, ocorrerá de forma menos grave, quando comparada a um indivíduo que não apresenta tal mutação no gene.
O estudo dos genes responsáveis por fabricar a MBL e a identificação das mutações em pacientes com leishmaniose ou em pessoas que vivem em uma área de risco, podem auxiliar no “pré diagnóstico” da doença ou no tratamento do doente, por exemplo, com a informação do genótipo do paciente, se ele apresenta mutações nas sequencias de DNAs que fabrica a MBL, pode-se prever se aquele paciente tem chance de desenvolver a leishmaniose de forma mais ou menos grave, assim o médico poderá realizar o tratamento de modo mais específico, de acordo com as necessidades de cada paciente.
Também durante o pós-doutorado, tive a! oportunidade de desenvolver um projeto no Instituto de Medicina e Higiene Tropical em Lisboa, PT, o qual favoreceu meu crescimento pessoal e científico. Recentemente esses projetos chegaram ao fim e em breve os resultados serão publicados em revistas científicas, e novos projetos já se iniciaram.
Atualmente, sou docente na faculdade Marechal Rondon (UNINOVE), ministro aulas de parasitologia, microbiologia e imunologia e continuo no IBTEC iniciando novos projetos, além de contribuir com diagnósticos em suspeitos de leishmaniose que chegam no hospital da faculdade de medicina de Botucatu.
Amo o que eu faço, amo dar aula, passar para os alunos um pouco do que eu sei, amo parasitologia, amo estudar o parasita Leishmania, antes mesmo de entrar na faculdade, amo pesquisa, e pretendo continuar nessa caminhada sempre com esperança e nunca desanimando, mesmo sabendo que a caminhada é longa e nada fácil, um dia tudo valerá a pena.
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