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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Minha querida pesquisa - Marianna Vaz Rodrigues


 Marianna Vaz Rodrigues
Bacharela em Medicina Veterinária (UNIMES), Mestra em Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no Agronegócio (UNESP) e doutora em Medicina Veterinária  (UNESP)

 Por que eu decidi trabalhar na área acadêmica?
Lembro que aos 6 anos, meu pai, que é Biológo e pesquisador, me levou para ajudar em um projeto que visava realizar um levantamento da ictiofauna costeira na cidade de Santos,  onde residi até a pós-graduação.
Este primeiro contato com a ictiofauna foi fascinante, até hoje me recordo da forma de pesquisar; o descobrir das novas espécies; o entender do comportamento dos animais, isso foi contagiante.
Decorrido algum tempo, já no colégio chegava o momento  que todo jovem se depara – escolher a profissão a seguir -, foi quando decidi pela medicina veterinária, profissão encantadora, que busca proteger a saúde dos animais, como a saúde humana.
Assim, na graduação, realizei vários estágios nas mais diversas áreas da medicina veterinária, dentre elas, clínica e cirurgia de pequenos e grandes animais, inspeção de alimentos de origem animal, aquicultura, estatística pesqueira e sanidade de animais aquáticos. Ao passar por cada área, me identifiquei com o estudo das doenças de peixes, pois é uma área pouco explorada e com muitas oportunidades de pesquisa.
Com isso, na iniciação científica, trabalhei com doenças parasitárias do pescado comercializado na Baixada Santista, onde pude perceber a falta de dados nessa área, o que impede que o fiscal ou responsável técnico não detecte os parasitos, que podem causar danos à saúde do consumidor, por exemplo.
Esses estudos me proporcionaram experiências didáticas, uma vez que apresentei meus dados em congressos científicos, bem como tive a felicidade de ministrar palestras em órgãos públicos e privados,  esclarecendo os riscos de consumir pescado cru e sem conhecimento da sua procedência. Com essas oportunidades, pude perceber que o que mais me movia era adquirir o conhecimento e repassar a comunidade, aos profissionais e estudantes.
Durante a pós-graduação, pude aperfeiçoar meus conhecimentos com novas técnicas de diagnóstico, inclusive descrevendo uma espécie nova de parasito em tilápias do Nilo, um dos peixes mais consumidos no Brasil e no mundo. Com esse conhecimento, me abriu a oportunidade de conseguir uma bolsa de pós-doutoramento em um projeto temático na FAPESP vinculada ao Instituto de Biociências, APTA (Agência Paulista ...) e Universidade de Copenhagen (Dinamarca) para trabalhar com  diagnóstico de doenças de tilápias. Nesse projeto, descobrimos um novo microsporídeo em tilápias que causa uma patologia semelhante a leucemia em humanos. Além disso, verificamos que as tilápias criadas no estado de São Paulo apresentam inúmeros patógenos com frequências baixas a alta, o que pode desencadear em grande prejuízo ao produtor, risco ao ambiente aquático, uma vez que são criadas em reservatórios, e ao consumidor.
Devido a esses achados, acredito que meu papel como pesquisadora é importante para trazer mais informação em todos os elos da cadeia produtiva, buscando medidas de prevenção,a fim de evitar a ocorrência de doenças que possam ter impacto na vida animal, ambiental e humana.
Dessa forma é imperioso estimular os alunos de graduação e pós-graduação a estudarem mais doenças e diagnóstico de animais aquáticos para melhorar a cadeia produtiva e ter ferramentas confiáveis para controle dessas enfermidades.

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