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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Como os embriões do peixe paulistinha podem ajudar no tratamento contra o câncer?

Diversos avanços vêm sendo alcançados no tratamento contra o câncer. Entretanto, ainda é muito difícil e impreciso prever como cada paciente irá responder aos diversos protocolos terapêuticos (tratamento com drogas “anticâncer” em associação ou não à radioterapia). Mesmo com diagnósticos semelhantes, um paciente, pode apresentar uma resposta positiva ao tratamento (diminuição do tumor), ao passo que o outro paciente pode não apresentar resposta alguma.  Esse tipo de situação acontece, principalmente, pelas diferenças genéticas existentes entre os tumores de ambos os pacientes. Além disso, até mesmo as células que formam cada tumor podem apresentar diferenças genéticas entre si. Portanto, essas diferenças genéticas podem determinar se uma dada droga será eficaz ou não para o tratamento daquele tipo de câncer.
 Atualmente, é possível saber como o tumor de determinado paciente irá responder ao tratamento por meio da utilização de camundongos específicos, que permitem estudar o comportamento dos tumores, por exemplo, em relação a determinado protocolo terapêutico. Esse tipo de modelo para estudo é denominado de patient-derived xenograft models. Neste modelo, basicamente, retira-se um fragmento do tumor do paciente e implanta-se esse fragmento no camundongo. Este tumor irá desenvolver-se no camundongo e, assim, é possível tratá-los com diferentes drogas para se determinar o tratamento mais eficaz. Entretanto, um dos principais fatores que limitam a aplicação deste tipo de abordagem na prática clínica, principalmente no campo da medicina de precisão (precision medicine), é que a definição do melhor tratamento inicial pode levar meses para ser concluída e muitos pacientes não têm esse tempo.  

Esquema mostrando as etapas envolvidas no tratamento personalizado (patient-derived xenograft models) de tumores hepáticos, utilizando-se camundongos. Organism Biomodel (https://goo.gl/j2KbDj) 

Recentemente, um grupo de pesquisadores de Portugal conseguiu obter resultados surpreendentes no tratamento do câncer utilizando o Zebrafish (nome científico: Danio rerio; nome popular: paulistinha). Rita Fior e seus colaboradores foram os primeiros a demonstrarem que o comportamento biológico de tumores do tipo colorretal (um tipo de tumor no intestino) implantados nos embriões do zebrafish era semelhante ao seu comportamento nos humanos.  Inicialmente, os pesquisadores implantaram diferentes tipos de tumores colorretais nos embriões dos peixes e aplicaram as drogas especificas para esse tipo de câncer na água do aquário. Eles observaram que alguns tumores diminuíam e outros não, ou seja, esse tipo de abordagem consegue diferenciar entre um tratamento eficaz de um não eficaz.

Embrião de Zebrafish (Danio rerio). Em vermelho destaca-se a massa tumoral do câncer colorretal. Rita Fior (https://goo.gl/9ppuL6)

Mais importante ainda, foi o fato dos pesquisadores terem observado que os tumores implantados nos embriões do zebrafish responderam de maneira semelhante à mesma terapia utilizada nos pacientes de onde esses tumores foram retirados. Além disso, o tempo entre a implanção do tumor no embrião e a análise dos resultados é de aproximadamente duas semanas, criando possibilidades para que este modelo seja aplicado, futuramente, na prática clínica, guiando o médico na escolha do tratamento mais eficaz.

Sobre o autor: Biólogo, pesquisador e apaixonado por animais abandonados.

Ficou curioso? Acesse os links abaixo. 

Links em português:
https://goo.gl/nUs9CJ

https://goo.gl/aVVZdw

Links em inglês:
https://goo.gl/8wMHTJ

https://goo.gl/T8XCyq







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