Aba

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A era dos bebês modificados?





Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos, China e Coréia do Sul, liderados pelo biólogo especialista em reprodução, Shoukhrat Mitalipov, publicaram, em 02 de agosto de 2017, o primeiro estudo utilizando a técnica de CRISPR/CAS9 para corrigir uma mutação em embriões humanos. O alvo do estudo foi o gene MYBPC3, que codifica (produz) uma proteína específica do músculo cardíaco, envolvida no processo de contração e relaxamento do mesmo. A mutação em apenas uma das cópias desse gene leva ao desenvolvimento de uma doença no coração que está associada à insuficiência cardíaca em idade avançada ou morte súbita em jovens. 




Mas o que seria a técnica de CRISPR/CAS9, ou Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas? 

É uma técnica utilizada para editar sequências de DNA de interesse. Essa edição pode ser feita, por exemplo, “deletando” um gene saudável, para conhecer sua função. Ainda, é possível corrigir a sequência defeituosa (mutada) de genes, como por exemplo, no caso do gene MYBPC3. Outra possibilidade seria aumentar ou reduzir completamente o funcionamento de genes específicos. A técnica é baseada no sistema de defesa de bactérias contra infecções por vírus e, recentemente¸ Jennifer Anne Doudna e Emmanuelle Charpentier foram as primeiras a descrever sua aplicabilidade para a edição de genomas. Veja vídeo da autora do trabalho logo abaixo. 



De um modo geral, a técnica de CRISPR/CAS9 é baseada em uma proteína (CAS9), a qual cliva/corta o DNA,  associada a uma molécula (RNA) que guia ou direciona a proteína CAS9 para a sequência de DNA ou RNA do vírus invasor ou, no caso da edição do genoma, para a sequência que se quer alterar. 
A principal questão envolvendo a edição de genomas em embriões humanos não é seu potencial para a cura de doenças, sejam elas de manifestação precoce ou tardia, mas sim as consequências de sua utilização com o objetivo de alterar ou melhorar (enhancement) características físicas, intelectuais, fisiológicas dos indivíduos. Veja comentário da pesquisadora Mayana Zatz (USP, São Paulo) a respeito de tal técnica e da ética envolvendo sua utilização. 

E você, o que acha sobre a edição de genoma em embriões humanos?? 

Sobre o autor: Biólogo, pesquisador e apaixonado por animais abandonados.

Ficou curioso? Acesse os links abaixo. 

Em inglês: 


Em português: 


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