Aba


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

(des)cuiddo parental

As vezes eu queria ser um pássaro para poder voar por ai, mas ai vejo que 
estou estou bem da forma que estou o.O
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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Como os embriões do peixe paulistinha podem ajudar no tratamento contra o câncer?

Diversos avanços vêm sendo alcançados no tratamento contra o câncer. Entretanto, ainda é muito difícil e impreciso prever como cada paciente irá responder aos diversos protocolos terapêuticos (tratamento com drogas “anticâncer” em associação ou não à radioterapia). Mesmo com diagnósticos semelhantes, um paciente, pode apresentar uma resposta positiva ao tratamento (diminuição do tumor), ao passo que o outro paciente pode não apresentar resposta alguma.  Esse tipo de situação acontece, principalmente, pelas diferenças genéticas existentes entre os tumores de ambos os pacientes. Além disso, até mesmo as células que formam cada tumor podem apresentar diferenças genéticas entre si. Portanto, essas diferenças genéticas podem determinar se uma dada droga será eficaz ou não para o tratamento daquele tipo de câncer.
 Atualmente, é possível saber como o tumor de determinado paciente irá responder ao tratamento por meio da utilização de camundongos específicos, que permitem estudar o comportamento dos tumores, por exemplo, em relação a determinado protocolo terapêutico. Esse tipo de modelo para estudo é denominado de patient-derived xenograft models. Neste modelo, basicamente, retira-se um fragmento do tumor do paciente e implanta-se esse fragmento no camundongo. Este tumor irá desenvolver-se no camundongo e, assim, é possível tratá-los com diferentes drogas para se determinar o tratamento mais eficaz. Entretanto, um dos principais fatores que limitam a aplicação deste tipo de abordagem na prática clínica, principalmente no campo da medicina de precisão (precision medicine), é que a definição do melhor tratamento inicial pode levar meses para ser concluída e muitos pacientes não têm esse tempo.  

Esquema mostrando as etapas envolvidas no tratamento personalizado (patient-derived xenograft models) de tumores hepáticos, utilizando-se camundongos. Organism Biomodel (https://goo.gl/j2KbDj) 

Recentemente, um grupo de pesquisadores de Portugal conseguiu obter resultados surpreendentes no tratamento do câncer utilizando o Zebrafish (nome científico: Danio rerio; nome popular: paulistinha). Rita Fior e seus colaboradores foram os primeiros a demonstrarem que o comportamento biológico de tumores do tipo colorretal (um tipo de tumor no intestino) implantados nos embriões do zebrafish era semelhante ao seu comportamento nos humanos.  Inicialmente, os pesquisadores implantaram diferentes tipos de tumores colorretais nos embriões dos peixes e aplicaram as drogas especificas para esse tipo de câncer na água do aquário. Eles observaram que alguns tumores diminuíam e outros não, ou seja, esse tipo de abordagem consegue diferenciar entre um tratamento eficaz de um não eficaz.

Embrião de Zebrafish (Danio rerio). Em vermelho destaca-se a massa tumoral do câncer colorretal. Rita Fior (https://goo.gl/9ppuL6)

Mais importante ainda, foi o fato dos pesquisadores terem observado que os tumores implantados nos embriões do zebrafish responderam de maneira semelhante à mesma terapia utilizada nos pacientes de onde esses tumores foram retirados. Além disso, o tempo entre a implanção do tumor no embrião e a análise dos resultados é de aproximadamente duas semanas, criando possibilidades para que este modelo seja aplicado, futuramente, na prática clínica, guiando o médico na escolha do tratamento mais eficaz.

Sobre o autor: Biólogo, pesquisador e apaixonado por animais abandonados.

Ficou curioso? Acesse os links abaixo. 

Links em português:
https://goo.gl/nUs9CJ

https://goo.gl/aVVZdw

Links em inglês:
https://goo.gl/8wMHTJ

https://goo.gl/T8XCyq







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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Eclipse Solar





Eclipse solar do dia 21/08/2017, visualizado de "costa a costa" nos Estados Unidos. Foto retirada do site National Geographic: http://news.nationalgeographic.com/2017/06/total-solar-eclipse-august-how-watch-science/#/amercian-eclipse-01.jpg


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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Minha Querida Pesquisa - Rita de Cássia Viveiros



Sou pós doutoranda no Instituto de biotecnologia (IBTEC), supervisionada pelo Prof. Paulo Ribolla e, há treze anos, trabalho com o parasita Leishmania, que é um protozoário (seres unicelulares, pertencente ao reino protista) parasita causador da doença leishmaniose. Esse parasita afeta tanto o homem quanto animais domésticos e silvestres, sendo o cão o principal reservatório.
Fiz biologia na UNESP de Ilha Solteira, onde iniciei a pesquisa com leishmaniose. Após o termino da faculdade, entrei no mestrado em genética, na UNESP de Botucatu, em seguida transferi para o Doutorado direto, defendi a tese intitulada como “Envolvimento da Proteína Telomérica “Replication Protein A-1” na resposta a danos nos telômeros de Leishmania amazonensis (LaRPA-1)”. Que complexo não é mesmo? Que específico! O que são telômeros? Qual a utilidade disso? Resumindo, os telômeros (figura a seguir) são trechos de DNA(s) localizados nas pontas dos cromossomos, que são estruturas compostos por DNA e proteínas e são essenciais para manter a integridade do genoma, que nada mais é, que um código genético onde estão todas as informações hereditária dos seres vivos. Fazendo uma analogia, os telômeros podem ser comparados com as pontas dos cadarços de sapatos, que funcionam como uma capa protetora, associado a ele estão inúmeras proteínas vitais para o desenvolvimento de um ser vivo.

As proteínas associadas aos telômeros são conhecidas e estudadas em vários seres vivos e sabe-se que são importantes e vitais, por isso o grupo da prof. Maria Isabel Cano resolveu pesquisar as proteinas teloméricas de leishmania, isto poderá auxiliar na compreensão de mecanismos biológicos do parasita e poderá gerar conhecimento para posteriores estudos, como auxiliar no desenvolvimento de medicamentos e terapias anti-parasitarias.
Meu trabalho no doutorado contribui para puxar um fio do complexo e árduo trabalho desenvolvido pelo grupo, no desvendamento das funções das proteínas teloméricas em Leishmania.
Durante o pós doutorado continuei trabalhando com Leishmania e leishmaniose, porém com uma abordagem direta, trabalhando com pacientes do hospital Estadual de Bauru. Ao contrário de que muitos pensam, a leishmaniose mora bem do nosso lado; a cidade de Bauru, aproximadamente 100Km da cidade de Botucatu, ocupa o segundo lugar no ranking da leishmaniose no Estado de São Paulo, com registro de óbitos humanos, perdendo apenas para Araçatuba, cidade que há anos vive uma epidemia da doença. O diagnóstico clínico no homem, assim como no cão, é complexo, e apresentam limitações, dessa forma, é necessário o desenvolvimento e padronização de ferramentas que sejam capazes de promover um diagnóstico preciso e rápido, já que a cura depende do diagnóstico rápido e correto.
Neste projeto de pós-doutorado financiado pela FAPESP buscamos padronizar técnicas moleculares de diagnostico (PCR e qPCR), para ser utilizado na rotina e em larga escala, em laboratórios de saúde Pública, ambas as técnicas buscam encontrar DNA do parasita em amostras de pacientes suspeitos para leishmaniose, além de comparar esta técnica com os demais diagnósticos que são normalmente utilizados para leishmaniose em laboratórios de Saúde Pública.
Neste mesmo projeto de pós doutorado, também estudamos uma proteína chamada MBL, responsável por “ajudar” o sistema imunológico a combater diversas doenças, inclusive a leishmaniose. Todos os indivíduos humanos carregam informações no seu DNA para “fabricar” proteínas, como a MBL por exemplo, no entanto, como todas as pessoas são “diferentes”, as sequencias de DNAs responsáveis por fabricar uma determinada proteína, os genes, podem variar entre as pessoas, são os chamados polimorfismos genéticos, dessa forma, dizemos que os indivíduos apresentam genótipos diferentes para a mesma proteína, ou seja o conjunto de genes para fabricar uma determinada proteína pode apresentar algumas modificações (mutações) entre pessoas diferentes.
Alguns estudos realizados mostraram que, quando os genes responsáveis por fabricar a MBL encontra-se modificado, ou seja com uma mutação (modificação), pode estabelecer uma proteção ao indivíduo contra a leishmaniose, ou caso a doença se manifeste, ocorrerá de forma menos grave, quando comparada a um indivíduo que não apresenta tal mutação no gene.
O estudo dos genes responsáveis por fabricar a MBL e a identificação das mutações em pacientes com leishmaniose ou em pessoas que vivem em uma área de risco, podem auxiliar no “pré diagnóstico” da doença ou no tratamento do doente, por exemplo, com a informação do genótipo do paciente, se ele apresenta mutações nas sequencias de DNAs que fabrica a MBL, pode-se prever se aquele paciente tem chance de desenvolver a leishmaniose de forma mais ou menos grave, assim o médico poderá realizar o tratamento de modo mais específico, de acordo com as necessidades de cada paciente.
Também durante o pós-doutorado, tive a! oportunidade de desenvolver um projeto no Instituto de Medicina e Higiene Tropical em Lisboa, PT, o qual favoreceu meu crescimento pessoal e científico. Recentemente esses projetos chegaram ao fim e em breve os resultados serão publicados em revistas científicas, e novos projetos já se iniciaram.
Atualmente, sou docente na faculdade Marechal Rondon (UNINOVE), ministro aulas de parasitologia, microbiologia e imunologia e continuo no IBTEC iniciando novos projetos, além de contribuir com diagnósticos em suspeitos de leishmaniose que chegam no hospital da faculdade de medicina de Botucatu.
Amo o que eu faço, amo dar aula, passar para os alunos um pouco do que eu sei, amo parasitologia, amo estudar o parasita Leishmania, antes mesmo de entrar na faculdade, amo pesquisa, e pretendo continuar nessa caminhada sempre com esperança e nunca desanimando, mesmo sabendo que a caminhada é longa e nada fácil, um dia tudo valerá a pena.
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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Uma nova Ciência para um velho Brasil












Ney Lemke
lemke@ibb.unesp.br



O significado das manifestações de 2013 segue desafiando o nosso entendimento, seja pelo volume, seja pelo impacto que causaram, ou ainda pelo mistério que é entender o que afinal de contas motivou as pessoas. Mas um elemento era universal, a percepção clara de que o nosso modelo de Estado era incompatível com o "Brasil" que queríamos. Naquele momento havia uma grande convergência e percepção de que era necessário mudar.
Mas a necessidade de mudança implica uma nova questão, mudar para o quê? Nesse momento começou uma profunda divisão da sociedade brasileira sob que rumo tomar. Ainda que obviamente existam matizes, a divisão essencial se deu entre aqueles que preferem um Estado menor e aqueles que preferem um Estado mais forte.
O capitalismo brasileiro, desde Vargas, sempre incluiu a forte participação do Estado, que para o bem ou para o mal, foi elemento chave para o crescimento econômico brasileiro. Essa situação oscilou, obviamente, ao longo do tempo, com privatizações que foram seguidas de novos avanços da máquina pública. Como resultado, temos que uma boa parte do PIB depende intrinsecamente de empresas estatais ou de empresas que já foram estatais, e mesmo no caso de empresas privadas, existe um forte componente de intervenção estatal.
As eleições de 2016 responderam as manifestações de 2013 de forma enigmática.Mudaram substancialmente o congresso nacional, tornado-o mais conservador nos costumes e mais liberal na economia, e mantiveram por pequena margem, uma presidente de esquerda. Essa contingência histórica fez surgir poderosas forças de cisalhamento que nos arrastaram para uma perigosa imobilidade e que culminaram com dois momentos de tentativa de deposição presidencial, uma bem sucedida e outra que fracassou. Em minha opinião, a luta contra a corrupção que afetava os dois lados na disputa não foi causa, mas essencialmente um elemento tático na disputa política.
Ainda que Temer e o PMDB tenham sido aliados constantes do PT ao longo de quase todo o período petista, esses souberam capturar as insatisfações das camadas médias e dos setores empresariais e se apresentar como uma saída liberalizante para o país. Infelizmente, o poder do PMDB decorre exatamente de sua capacidade de alugar a máquina pública para que essa se preste a interesses privados e, assim, seu modelo de capitalismo liberal é longe do ideal da economia de mercado idealizada por Adam Smith. E após um ano de governo Temer, ficou evidente que o ajuste fiscal se localizou exatamente nos serviços que a sociedade brasileira queria melhorar e manteve intacto os maiores privilégios do setor público e os generosos incentivos fiscais característicos da política econômica da era petista. 
A Ciência no Brasil foi ao longo de sua história um empreendimento essencialmente governamental. CNPq, Capes, as agências de fomento estaduais (FAPESP...) e  as empresas estatais, como a Embrapa, sempre foram responsáveis pela maior parte do investimento em pesquisa nacional. As universidades públicas e os laboratórios dessas empresas abrigaram a imensa maioria dos cientistas brasileiros e do desenvolvimento tecnológico.
O governo Temer e a aprovação da PEC 275, que limita o crescimento dos gastos públicos, parecem implicar (é sempre importante lembrar que no Brasil, leis raramente "pegam") que o Estado não será responsável pelo próximo ciclo de crescimento brasileiro. Se voltarmos a crescer, não importa sobre que base econômica, o papel do Estado estará circunscrito: ao pagamento do aparato repressor-judicial, a classe política, dívida pública e previdência. Mesmo as áreas de Saúde e Educação devem ser severamente atingidas.
O rebaixamento do CNPq à um órgão de 4o. escalão no Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações mostra a importância da pesquisa científica no Brasil de hoje. Sociedade  que é muito parecida ao velho Brasil colônia: com uma base econômica centrada na exportação de bens agropecuários e comodities, com uma forte concentração de renda e com uma massa trabalhadora mal remunerada, mal educada e com baixa produção. Nessa simultaneamente nova e velha sociedade é importante nos perguntarmos que Ciência é possível.
Mas antes cabe ressaltar que hoje, mais do que nunca, uma Ciência brasileira é essencial, ainda que seu  papel  esteja sob fogo cerrado no mundo inteiro e em especial, aqui. Os setores que venceram a disputa política, a tradicional Bancada BBB: Boi, Bala e Bíblia encaram a Ciência como uma força política adversária. A parte Boi, porque se opõe ao veredito de que vivemos uma crise climática, a parte Bala porque prefere ver cada cidadão com uma arma da mão do que construir alternativas civilizadas às nossas mazelas sociais e a da Bíblia, por preferir uma população sem acesso ao conhecimento científico, que é considerado por eles como antagônico aos preceitos bíblicos. Sem uma ciência atuante corremos o risco de construir uma sociedade sob essas bases. Mas o mais preocupante é que os argumentos científicos perderam sua capacidade de balizar a discussão e se tornaram apenas mais um elemento nas disputas ideológicas nas arenas políticas mundiais. 
Apesar dos pesares, o Brasil ainda possui uma das melhores infraestruturas universitárias do mundo. Ao longo da era petista, ela se capilarizou Brasil afora e hoje está espalhada não apenas em grandes centros, mas em cidades de médio e pequeno porte. Esse sistema depende, para funcionar, de recursos e pode prover capital humano capaz de gerar desenvolvimento e empregos.
Entretanto, a academia brasileira sofre de suas mazelas. A adoção de um modelo de avaliação que premia exclusivamente a produção de papers e a formação de novos doutores, gerou, por um lado, uma maior inserção brasileira no cenário internacional. Não apenas representado pelo aumento do número de artigos, mas também pela sua qualidade (ainda que a quantidade seja muito mais evidente). Por outro lado, esse avanço veio com um crescente distanciamento da sociedade brasileira e em especial, do setor privado. 
Esse distanciamento é grave para ambos os lados, pois por um lado implica que a nossa indústria e agricultura sigam dependentes de inovações externas que, além de serem caras, muitas vezes não são adequadas à nossa realidade. A classe empresarial brasileira sabe que é  muito mais lucrativo investir em corromper políticos, e assim ter acesso às benesses do Estado, do que investir em complexos e longos ciclos de desenvolvimento tecnológico.
A falência do modelo estatal de desenvolvimento científico e tecnológico e a falta de apetite das forças de mercado estão gerando um fenômeno novo no Brasil, temos um grande contingente de jovens titulados sem perspectivas de emprego. Essencialmente inviabilizando a forma como a pesquisa é realizada no Brasil, a saber, composta essencialmente por pós-graduandos trabalhando com bolsas de agências de fomento.
Assim, a severa crise do CNPq, que não possui hoje recursos para pagar as bolsas até o final do ano é mais grave que possa parecer. Sem perspectivas, os nossos melhores cérebros estão saindo do Brasil e novos recursos humanos não estão entrando no sistema. Durante a votação pela autorização da abertura de processo contra Temer, o governo cedeu para basicamente todos os setores da sociedade brasileira. A Ciência foi a mais clara exceção. Mostra que não formos nem mesmo capazes de exercer pressão sobre um governo claudicante, evidência mais dramática do descolamento entre a comunidade científica e a sociedade civil.
Sem acesso a recursos públicos e com a clara perspectiva de que não haverá mais crescimento substancial nas verbas futuras, cabe à Ciência brasileira se reinventar ou morrer. A reinvenção passa pela capacidade de captar recursos de fontes diversas e de tornar a pesquisa um vetor explícito de geração de empregos e de crescimento. A ABC e a SBPC estão plenamente conscientes dos desafios que temos pela frente e, durante anos, lutaram bravamente por aprovar o Marco Regulatório da Ciência Brasileira. Essa legislação tinha por objetivo normatizar e esclarecer como o setor público e os interesses privados deveriam agir em prol do desenvolvimento tecnológico. Após um longo e complexo processo de negociação os Congresso aprovou o Marco mas, infelizmente, ele acabou sendo desfigurado pela presidente Dilma, em grande parte por pressões de setores do Estado, como a Receita Federal. Como resultado, temos uma legislação que segue sendo inadequada e pouco impacto trouxe ao nosso desenvolvimento.
A situação hoje segue sendo a de grande complexidade jurídica na regulação da interação entre comunidade científica e setor produtivo. A legislação que existe é interpretada de formas variadas pelos diferentes órgãos dos governos, gerando discrepâncias, processos judiciais, em suma: insegurança jurídica e perda de eficiência. Essa situação deve se tornar ainda mais incerta com a aprovação da Reforma trabalhista que é mais uma peça legislativa confusa e que, de acordo com vários especialistas, é inconstitucional.  Sem nos esquecermos da Lei da Terceirização, que estimula a precarização das relações de trabalho em prol de uma incerta  redução de custos. A única certeza é que as grandes empresas que atuam na área saíram vencedoras nessa disputa, especialmente aquelas que atuam junto ao poder público.
Como em qualquer momento de crise, existe uma janela de oportunidades. O Instituto Serrapilheira é o exemplo mais marcante de uma iniciativa privada para promover o desenvolvimento científico, mas, obviamente, existem várias outras. Grandes complexos hospitalares estão mantendo equipes de pesquisa cada vez mais competitivas, visando o mercado de saúde de maior complexidade. O SEBRAE e a FAPESP têm várias iniciativas estimulando a criação de startups de base tecnológica, já a EMPRAPII, Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, surgiu para fomentar a inovação em nossa indústria em todo Brasil.
Ainda que nobres e meritórias, essas iniciativas precisam de um horizonte político de médio prazo para poderem se estabelecer. É essencial que haja um nível mínimo de coordenação para que investimentos de longo prazo possam ser feitos, para que os cientistas adaptem suas carreiras para atuarem mais diretamente em prol do desenvolvimento econômico do Brasil, para que a academia implemente políticas que premiem quem atua nessa interface e, finalmente, para que de fato exista uma clareza institucional de como a interação entre a academia e o setor produtivo possa se estabelecer.


Sobre o Autor: Ney Lemke é físico, mestre e doutor em física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professor adjunto da Unesp de Botucatu.



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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Ufa... agora já sei o que fazer em um ataque de urso! Ainda bem que temos pesquisadores focados em comportamento animal! :o

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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Como as inteligências artificiais podem mudar o mundo




Por:
Alejandra Viviescas 
 mariale88@gmail.com
Quando pensamos em inteligência artificial (IA), normalmente imaginamos robôs inteligentes, capazes de se rebelarem contra os humanos, no estilo exterminador do futuro. Embora um pouco distante do exemplo acima, as inteligências artificiais têm sido usadas na pesquisa científica desde a década de 80 e seu uso têm aumentado exponencialmente nos últimos anos, tornando-se cada vez mais popular. Isso é tão verdade, que, com certeza, você já interagiu com algum tipo de IA na última semana.

As IAs são programas de computador cujos algoritmos foram desenvolvidos para analisar dados e encontrar padrões. São alimentadas com dados reais e, a partir destes, elas conseguem encontrar padrões gerais. Além disso, estão programadas para aprender com os resultados anteriores, aperfeiçoando-se na resolução de problemas conforme são expostas a novas e diferentes situações.

No campo das pesquisas científicas, em diferentes áreas da ciência, as IAs são cada vez mais utilizadas, especialmente agora, pois há uma grande quantidade de dados disponíveis que são cada vez mais difíceis de analisar. Uma IA consegue processar uma grande quantidade de dados e encontrar padrões muito mais rápido do que qualquer ser humano.

Recentemente, a revista Science apresentou uma lista de exemplos de inteligências artificiais que são utilizadas em diferentes áreas científicas.

Por exemplo, cientistas sociais usam a IA para analisar publicações em redes sociais e encontrar padrões de risco tanto de doenças físicas como mentais. A partir da compilação desses dados eles criaram um mapa dos Estados Unidos que mostra o bem-estar geral da população, como podemos ver no mapa abaixo.

Mapa de bem-estar dos Estados Unidos desenvolvido por inteligências artificiais.
Um grupo de geneticistas também usou o poder de análises de dados das inteligências artificiais para varrer o genoma na busca de genes relacionados com a predisposição ao autismo. Além disso, astrofísicos de diferentes lugares do mundo usam IAs para analisar grandes quantidades de imagens do universo, achando os padrões dos corpos celestes, o que permite melhorar a resolução das fotos espaciais, como mostra a figura abaixo. Esses são só alguns exemplos de IAs utilizadas como ferramentas na pesquisa científica.
Foto original de uma galáxia (esquerda) e a mesma foto melhorada por inteligência artificial (direita)
Entretanto, não são somente os cientistas que usam as IAs no dia a dia. A Siri, e outras assistentes pessoais dos telefones inteligentes, ou a função do Netflix ou do Spotify que sugere filmes e músicas que você poderia gostar, são exemplos de IAs que utilizamos praticamente todos os dias. Uma grande quantidade de sistemas de segurança e detecção de fraude também utilizam as capacidades das IAs para analisar grandes quantidades de dados e encontrar padrões.

Uma das primeiras utilidades que a sociedade deu às IAs, foi na implementação de pilotos automáticos nas viagens comercias de avião. Hoje em dia, calcula-se que em média apenas 7 minutos de cada viagem de avião requerem do piloto humano. Num futuro cada vez mais próximo, o uso de IAs vai permitir a existência de carros autodirigidos como o do GIF abaixo.



Os exemplos acima mostram que as IAs desempenham um grande papel na melhoraria do nosso dia a dia e, estão se tornando cada vez mais complexas. Só o futuro vai dizer qual é o seu real potencial.

Sobre a autora: Bióloga e mestre em biologia pela Universidade Nacional da Colômbia, estudante de Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Câmpus de Botucatu/SP.


-Em inglês:

https://www.youtube.com/watch?v=mJeNghZXtMo
http://www.sciencemag.org/news/2017/07/ai-revolution-science
https://www.techemergence.com/everyday-examples-of-artificial-intelligence-and-machine-learning/

Imagens originais retiradas de:

http://wwbp.org/
http://www.sciencemag.org/news/2017/07/ai-changing-how-we-do-science-get-glimpse
https://www.youtube.com/watch?v=mCj_C1NOVxw&index=7&list=WL&t=48s
GIF feito usando https://giphy.com/

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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Embrião em forma de coração


Imagem do embrião da planta modelo Arabidopsis, no estágio de desenvolvimento chamado "coração". Foto cedida pela pós doutoranda Dra. Cristiane Alves, do Departamento de Genética do Instituto de Biociências de Botucatu, UNESP. Contato: cris_desantis@yahoo.com.br

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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Desvendando a produção do mel

Por:
Juliana Costa
juh_agro87@yahoo.com.br
Samir Kadri 
samirkbr@yahoo.com.br
O mel é um produto natural e a cada dia vem atraindo mais consumidores. Já sabemos que ele é produzido por abelhas a partir do néctar das flores, mas que tal descobrirmos como é este processo desde o campo até sua mesa?

As abelhas da espécie Apis mellifera são as maiores produtoras de mel, elas são insetos sociais que vivem em colmeias e possuem alta organização dentro do enxame. A realização das diversas atividades dentro da colmeia é feita por abelhas chamadas de operárias, as funções específicas realizadas por cada abelha operária dependem da idade destas. Conforme elas envelhecem, ficam mais experientes e adquirem tarefas mais complexas dentro da colmeia.


O mel é produzido exclusivamente a partir do néctar, uma espécie de líquido produzido pelas flores que tem a função de atrair insetos polinizadores, e processado por diferentes tipos de abelhas operárias.



As abelhas campeiras coletarem o néctar de centenas de flores e o armazenam em um compartimento especial dentro de seu abdômen chamado de vesícula nectarífera, onde o mel começa a ser processado, as enzimas contidas em tais vescículas processam os açúcares do néctar em açúcares mais simples, principalmente, frutose e glicose. Já na colmeia, a abelha campeira passa todo o conteúdo de néctar coletado para outras três abelhas, chamadas de abelhas laboratoristas.

A abelha laboratorista, assistida por outras abelhas operárias, processa o néctar para reduzir seu teor de água de 55% para 17%, o que também concentra os açúcares presentes no néctar. Todo este processo de produção de mel ocorre à temperatura de 30 °C e leva de um a cinco dias. O mel processado é estocado nos favos.



Após as abelhas produzirem o mel, entram em cena os apicultores, produtores rurais que criam abelhas. Devidos às nossas amigas possuírem ferrões e serem altamente defensivas, os apicultores vestem equipamentos de proteção, como luvas, botas e macacões, para fazerem a colheita do mel nas colmeias. A colheita do mel é feita através da retirada dos favos repletos de mel da colmeia, que depois, em uma “Casa do mel”, é centrifugado para a retirada do mel dos favos. Uma vez retirado o mel dos favos, pode-se armazená-lo por 2 anos em potes devidamente higienizados.

Para a produção de 1 kg de mel são necessárias em média 30 000 viagens de abelhas coletando néctar em campo. Lembre-se disso quando for consumir o mel de nossas amigas.



Sobre os autores: Juliana: Eng. agrônoma, nutróloga genômica, ama peixes e abelhas!! Samir: Zootecnista, melhorista de abelhas Apis melliferas e geneticista, louco por abelhas.

Imagens originais Retiradas de:
http://guiadoscuriosos.uol.com.br/categorias/1982/1/abelha.html
http://keepingbee.org/royal-jelly-and-health/
Arquivo pessoal dos autores
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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Aves: “Tráfico ilegal e Conservação Genética, o que é isso?”








Por: Bianca P. Gonçalves
bi_picado@hotmail.com



O tráfico de animais silvestres é um crime ambiental que movimenta milhões de dólares no mundo e o Brasil, por apresentar extensa biodiversidade, é um país alvo de traficantes que lucram com essa atividade ilegal. Os animais traficados sofrem maus-tratos e são submetidos a técnicas cruéis até serem vendidos ou levados ao seu destino. As aves são as mais capturadas devido à grande procura principalmente de colecionadores e pet shops. E quais as consequências desse terrível crime? A triste realidade é que 90% desses animais morrem no transporte. Esse grande número de mortes pode levar uma espécie em extinção, já pensaram nisso?
            Será que os cientistas podem auxiliar de alguma forma na conservação de espécies que sofreram com esse crime?


Figura 1: Capa da Cartilha "Aves: Tráfico Ilegal e Conservação Genética. O que é isso?

Diante desse problema, os cientistas atuam por meio da chamada Biologia da Conservação de diferentes formas. Uma das metodologias mais comuns é a Sexagem Molecular. Para compreender como a técnica funciona e como seus resultados podem contribuir para a resolução do problema ambiental, é necessária a compreensão de diversos conceitos de Biologia, tais como ecologia e genética, assuntos abordados na 1ª e 2ª série do Ensino Médio.
Esse material pode ser utilizado por professores em sala de aula do Ensino Médio, deixando o conteúdo de genética mais simples, mostrando sua aplicabilidade e importância no aspecto de conservação mediante um crime ambiental corriqueiramente cometido, afinal muitas pessoas tem um Papagaio em casa, não é mesmo? Esse é um outro tópico que pode ser explorado em sala de aula com a cartilha. O que é um animal silvestre? O que é um animal doméstico? O que é tráfico de animal? Quem tem um papagaio em casa ou conhece alguém que tenha?
Dessa maneira, a cartilha “Aves: Tráfico ilegal e conservação genética. O que é isso?” traz, numa linguagem de fácil compreensão, contendo ilustrações e pequenos textos explicativos sobre a Genética da Conservação, a técnica de Sexagem Molecular. Ao abordar este tema, a cartilha busca, além da aprendizagem da técnica em si e dos conceitos biológicos nos quais se baseia, sinalizar um alerta contra o tráfico ilegal de animais silvestres, especialmente as aves. Além disso, a cartilha contextualiza os conhecimentos por meio de exemplos, como no caso em que a Sexagem Molecular é utilizada para identificar o sexo do animal e permitir que   casais sejam separados para se reproduzirem em cativeiro, algo extremamente importante para a manutenção da natureza da espécie.

O material está disponível para download pelo link http://www.ibb.unesp.br/Home/MuseuEscola/folder.pdf

Sobre a autora: Bióloga pela UENP/Bandeirantes, estudante de direito na ITE/Botucatu, mestre e estudante de doutorado em Ciências Biológicas (Genética) – IBB – UNESP/Botucatu, coordenadora da WAWFE (Worldwide Association of Woman Forensic Experts) no Brasil.

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