Aba

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Úteros artificiais: da ficção à realidade

 
 Por: João Paulo Marcondes 
jpcastromarcondes@gmail.com


Vocês sabiam que alguns pesquisadores da Filadélfia, nos Estados Unidos, desenvolveram uma espécie de útero artificial?
Esse sistema é formado basicamente por uma bolsa de plástico (polietileno) chamada pelos pesquisadores de “Biobag”, que contém o fluído amniótico estéril (artificial) que é trocado continuamente para se evitar contaminação e acúmulo de substâncias decorrentes do metabolismo do feto. Este sistema também é acoplado a um oxigenador ligado diretamente ao cordão umbilical do feto que retira o gás carbônico do sangue e adiciona oxigênio. Todo esse sistema funciona sem bombas acopladas, apenas usando a força produzida pelos batimentos do coração do feto, evitando assim, que o coração seja sobrecarregado e o feto desenvolva problemas cardíacos. Vejam o esquema mostrado na figura abaixo, retirado diretamente do artigo que foi publicado por Emily A. Partridge, na revista Nature Communications.



Esquema do sistema Biobag, mostrando a troca do líquido amniótico e o sistema de oxigenação conectado ao cordão umbilical.
Agora, a pergunta seria... “Qual a importância de se desenvolver isso???”
A importância está no fato de tal sistema poder ser usado, futuramente, em recém-nascidos prematuros que estejam em estado crítico, ou seja, aqueles que nascem antes da 28a semana de gestação. Sabe-se que esses recém-nascidos têm poucas chances de sobrevivência fora do útero materno, sendo a taxa de óbito em torno de 70%. Além disso, os bebês que sobrevivem a esse nascimento prematuro podem apresentar problemas de saúde por toda a vida, como infecções pulmonares crônicas. Isso ocorre pelo fato de órgãos, como, por exemplo, os pulmões, não estarem completamente formados (“maduros”) no momento do nascimento, fazendo com eles não exerçam corretamente sua função no processo de respiração.
Segundo os pesquisadores, esse sistema permitiu que os cordeiros prematuros apresentassem crescimento e maturação normal dos órgãos. A figura abaixo mostra o cordeiro com 107 dias de gestação e há 4 dias na Biobag (esquerda) e o mesmo cordeiro após 28 dias na Biobag (esquerda).




Cordeiro com 107 dias de gestação e há 4 dias na Biobag (esquerda) e após 28 dias na Biobag (direita).
A próxima etapa será testar junto ao FDA (Food and Drug Adminstration) se tal método será seguro e eficiente em seres humanos para ser, posteriormente, disponibilizado na prática clínica.

Sobre o autor: Biólogo, pesquisador e apaixonado por animais abandonados.


Imagens originais adaptadas de: 
https://www.nature.com/articles/ncomms15112 
Compartilhar:
←  Anterior Proxima  → Inicio

0 comentários:

Postar um comentário

Seja um colaborador!

Postagens populares

Total de visualizações

Seguidores

Tecnologia do Blogger.