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quarta-feira, 26 de julho de 2017

O que é plástico pode ser moldado: remodelando o cérebro



Por: Nicole Orsi Barioni
nicole.orsiba@gmail.com

Vocês já assistiram ao filme “Lucy”? Bom, apesar de ter sido um ultraje à neurociência, este filme foi um prelúdio do que recentemente foi descoberto em um estudo ciêntifico feito nos Estados Unidos. Diferentemente do filme, onde o completo potencial do cérebro pode ser atingido se usarmos os outros supostos 90% que não utilizamos, os cientistas descobriram uma maneira de ativar o remapeamento do cérebro, ativando assim o potencial de plasticidade que este complexo orgão possui.

Após o nascimento, o cérebro dos mamíferos passa por mudanças que permitem aos indivíduos se adaptarem ao mundo que os cerca. Estímulos externos induzem tais mudanças para que o cérebro seja moldado, otimizando as habilidades de sobrevivência do indivíduo. A partir deste momento, apenas pequenas mudanças introduzidas pelo aprendizado e experiências vividas podem influenciar os circuitos neurais. Porém, o desbloqueamento do potencial de plasticidade pode ser útil para acelerar a recuperação de conexões neurais danificadas em condições patológicas como, por exemplo, a doença de Alzheimer.



Assim, a plasticidade ocorre quando as conexões neurais são remoldadas. Tais conexões são formadas por meio de “sinais” estabelecidos entre diversos neurônios. Alguns desses “sinais” são neurotransmissores que permitem a comunicação entre os milhões de neurônios que formam o cérebro. Um dos neurotransmissores responsáveis por tal plasticidade é a acetilcolina. Este neurotransmissor interage com uma estrutura cerebral denominada Tálamo, que atua como centro de retransmissão do sinal por meio da liberação de outro neurotransmissor, o glutamato. Este por sua vez, estimula o córtex cerebral, responsável pelas diversas sensações  que percebemos. Entretanto, a acetilcolina atua diminuindo a sinalização entre o tálamo e o córtex por meio do bloqueio de receptores responsáveis por esta transmissão. Com base nisso, pesquisadores do Centro de Ciência da Saúde da Universidade de Tenesse demonstraram que o córtex auditivo (responsável pela percepção da audição) pode ser remapeado através do bloqueio de receptores específicos no Tálamo (Figura 1).


Figura 1: Ilustração demonstrando a via auditiva, desde a recepção do som pelo ouvido até a conexão entre o tálamo e o córtex auditivo.
Esta descoberta abre caminhos para novas intervenções não invasivas na busca do remapeamento e plasticidade cerebral após o  período em que o cérebro encontra-se totalmente desenvolvido. Ciência como esta faz brilhar mais uma luz no fim do túnel para o o tratamento de doenças que atualmente definimos como incuráveis.

Sobre a autora: Biómédica,  Mestre em Ciências Biológicas (Geral e Aplicada) pela UNESP. Adimiradora do Cérebro e seus mistérios. No momento atua como aluna de doutorado pela Universidade de Calgary (Canada) em Neurociências.

Quer saber mais? Veja os links no texto, ou visite os as seguintes páginas:
-Em inglês:
http://science.sciencemag.org/content/356/6345/1335

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