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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Minha querida pesquisa - Vanessa Martinez Manfio



Vanessa Martinez Manfio – Farmacêutica 
Mestre em Doenças Tropicais 
e estudante de Doutorado da e 
Faculdade de Medicina de Botucatu

Desde o ensino médio eu já sabia que gostaria de fazer minha graduação na área de Ciências Biológicas, mas optei por fazer o curso de Farmácia, que abrange muitas áreas e te prepara para campo multiprofissional. Terminado a graduação em Farmácia, iniciei o aprimoramento profissional em Micologia Médica, e foi através desta especialização que me apaixonei pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e imunologia, área da biologia que estuda os mecanismos de proteção do corpo.
Muito empolgada e feliz com minha decisão, resolvi trabalhar com gestantes. Sim, gestantes infectadas pelo HIV, um público pequeno e de difícil acesso, pois a gestação por si só requer muitos cuidados e a infecção pode prejudicar a saúde do bebê caso não tratada.
Assim, iniciei minha pesquisa no mestrado que se intitulava “Avaliação da Translocação Microbiana em gestantes infectadas pelo HIV”. Mas o que é esta tal de translocação microbiana ou bacteriana? Primeiro, precisamos saber detalhes minuciosos sobre o HIV, como age ao entrar no nosso corpo e como se manifesta. O HIV pode ser contraído via relação sexual, transfusão sanguínea, acidente biológico, transmissão gestacional e na amamentação. Importante ressaltar que NÃO se pega HIV no abraço, beijo, suor, lágrimas, compartilhamento de talheres e na piscina. Para você que achava que podia pegar assim, pode ficar tranquilo, que não é o caso.
Mas este vírus é esperto e possui capacidade de infectar linfócitos, principais células de defesa do nosso corpo. Estes linfócitos possuem na sua estrutura receptores chamados de CD4+ e CCR5/CXCR4, que se ligam ao HIV e o levam para dentro da célula. No interior da célula, o HIV sofre algumas modificações e acaba liberando seu material genético. Este material genético e outros componentes formarão novos vírus, ou seja, ocorre a multiplicação de milhões de vírus do HIV. Os novos vírus são então liberados para a corrente sanguínea e infectam outros linfócitos, que morrerão depois da multiplicação. Assim, milhões de células formarão milhões de vírus ao mesmo tempo, tomando uma proporção grandiosa.
Os linfócitos também estão em abundância no epitélio intestinal. O epitélio intestinal é o tecido que reveste e protege o intestino e contém além dos linfócitos, outras celúlas epiteliais que atuam como proteção contra bactérias e toxinas que são naturais da flora intestinal. Essa proteção fornecida pelo epitélio não permite que essas bactérias da flora intestinal cheguem até a corrente sanguínea, o que pode acontecer, por exemplo, na presença de alguma infeção intestinal, durante cirurgias intestinais ou mesmo devido à infeção causada pelo HIV.
Quando ocorre algum dano neste epitélio intestinal, como os exemplos citados acima, as bactérias que são do intestino passam pelo epitélio com maior facilidade e vão para a corrente sanguínea, ou seja, causam infeção no sangue porque o lugar delas é no intestino. Quando essa migração ocorre, bactérias e toxinas caem na corrente sanguínea pelo dano na barreira protetora intestinal, este fenômeno é chamado de translocação microbiana. Se a translocação microbiana ocorre em indivíduos saudáveis, existem mecanismos imunológicos que são capazes de eliminar as bactérias ou mandá-las de volta ao intestino. Na infecção pelo HIV, entretanto, ocorre o comprometimento de vários mecanismos protetores, além da morte intensa de linfócitos do intestino, fatores que causam danos na barreira intestinal e, resultam na translocação microbiana.
A translocação microbiana na infecção pelo HIV é conhecida como importante fator que contribui para o aparecimento e desenvolvimento de doenças. Mas onde está a relação entre translocação microbiana, HIV e gestação? A gestação caracteriza-se por diversas mudanças. Do ponto de vista imunológico, a manutenção da gestação depende do equilíbrio entre as citocinas, que são partículas responsáveis por mandar sinais para as células irem até o local da inflamação, que se diferenciam ao longo da gestação, apresentando valores aumentados no início e ao término gestacional. Respondendo à pergunta acima, o aumento da inflamação devido à infecção pelo HIV, translocação microbiana e gestação ainda não está muito esclarecido pelos pesquisadores. Como resultado de meu mestrado, vimos um aumento nesta translocação e a fim de solidificar os dados e analisar outras variáveis envolvidas, sigo com a mesma linha de pesquisa atualmente no doutorado.
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