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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Minha querida pesquisa - Thomas Nogueira Vilches


Thomas Nogueira Vilches
Doutorando em Biometria
Universidade Estadual Paulista - UNESP

Nasci em São Paulo, capital, mas aos 7 anos mudei para o interior do estado. A princípio para Botucatu, onde vivi até os 10 anos. Já o resto de minha juventude passei em Presidente Venceslau, a 30 km da divisa com o estado do Mato Grosso do Sul.
Aos quase 15 anos, sabia que queria fazer algo relacionado com Física, e então optei pela Física Médica. A faculdade, para minha surpresa, era em Botucatu. E lá fui eu com 17 anos cursar a tal da Física Médica.
Mas o que é isso? Creio que poucos saibam, na verdade, acho que até quem entra para o curso não tem uma noção real do que é. A Física Médica tem como pilares (ou tripé) a medicina nuclear, o radiodiagnóstico e a radioterapia. Em geral relacionados com o controle de qualidade dos aparelhos e também ao tratamento de enfermidades (como na radioterapia). Mas, a Física Médica pode ser muito mais que isso, pode abranger a biomecânica, a construção de próteses e o biomagnetismo para imagens. Eu comecei a me interessar muito cedo pela Biologia Matemática, e em especial pela Epidemiologia Matemática.
O que é isso? A Biologia Matemática é o estudo de sistemas biológicos, como as interações entre espécies e o espalhamento de doenças, através das ferramentas matemáticas. Acho importante ressaltar que a Biologia Matemática tem como protagonista da pesquisa a Biologia e usa a matemática como uma forma de entender os processos. Existe também a Matemática Biológica que usa a biologia para criar ferramentas matemáticas, neste caso, o “protagonista” da pesquisa é a matemática.
Finalmente, do que se trata a “minha pesquisa”? Bom, no inicio de meus estudos usei algumas ferramentas matemáticas para entender como a sazonalidade, ou seja, as variações climáticas, pode influenciar na transmissão da dengue. Neste trabalho, também utilizamos o chamado “algoritmo genético” para entender melhor o que influencia na periodicidade das epidemias.
Já no meu Mestrado e parte do Doutorado, ainda com a ideia de trabalhar com transmissão de dengue, estudamos como as relações sociais podem influenciar no espalhamento da doença. A ferramenta matemática utilizada para isso foi a chamada “rede complexa” e, para os que gostariam de entender melhor, sugiro um livro chamado “Os seis graus de separação” de Duncan Watts, que é uma leitura tranquila e sem rigores matemáticos.
Atualmente, curso o Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Biometria no Departamento de Bioestatística, no IBB/UNESP. Minha pesquisa se relaciona com o uso destas redes na epidemiologia. No começo do ano de 2016 o Prof. Dr. Carlos Fortaleza, da Faculdade de Medicina, propôs que estudássemos a transmissão de bactérias pelos hospitais do Brasil.
O ambiente hospitalar, por ser um lugar com alto uso de medicamentos, acaba gerando uma seleção natural sobre as bactérias, resultando em bactérias resistentes à maioria dos antibióticos. A Biologia Matemática pode ser uma importante ferramenta para  entender e combater as infecções hospitalares.
O primeiro passo foi localizar os hospitais brasileiros no território nacional, como mostra a figura abaixo. Interessante mostrar que a quantidade de hospitais numa região acompanha a concentração de população na mesma.


  

                                          Figura 1 – Localização dos hospitais no Brasil (pontos escuros)

A pesquisa ainda está em andamento e já possui alguns resultados importantes. O objetivo é entender como as infecções se espalham na rede  hospitalar brasileira e determinar alguns hospitais “chave” para conter as epidemias. Esperamos que os resultados sejam aplicados no final da pesquisa.
Trabalhos como o meu, que são teóricos, mas podem ser aplicados, vem ganhando força na pesquisa e também destaque. No entanto, gostaria de enfatizar a importância de trabalhos puramente teóricos, uma vez que sem eles, nada seria possível no ambiente matemático. Das diversas áreas do conhecimento, não existe nada que possa ser classificado como “não serve para nada”. Às vezes, o destino e utilidade de uma pesquisa só não foram descobertos ainda, talvez por falta de maturidade ou  por falta de estudo sobre o assunto.
É importante que a Universidade tente aproximar-se da população, para que a população veja a importância destes estudos. Além disso, imagino que seja necessária uma maior divulgação das oportunidades que “todos” podem ter acesso dentro da Universidade.
Gostaria de deixar meus agradecimentos à minha orientadora Dra. Cláudia Pio Ferreira, ao Prof. Dr. Carlos Fortaleza, à Dra. Mariana Bonesso e à  aluna Helena Maciel Guerra. Também gostaria de agradecer o apoio financeiro da FAPESP (processo: 2015/05220-4) e da CAPES, sem o qual jamais seria possível desenvolver um trabalho assim.
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