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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Minha querida pesquisa - Bruno Nunes



Bruno Tinoco Nunes, bacharel em 
Ciências Biológicas (Unirio), mestre em 
Biologia Celular e Molecular (Fiocruz) e 
aluno de doutorado em Genética (Unesp)
Apesar de ter crescido em Niterói, cidade urbanizada do Rio de Janeiro, tive sempre muito contato com natureza e é possível que isso tenha sensibilizado o meu interesse por Biologia. Ainda assim, decidi que prestaria vestibular para Ciências Biológicas apenas no curso pré-vestibular, não antes.
Cursei minha graduação pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, a Unirio, ao mesmo tempo em que desenvolvi meu estudo de iniciação científica na Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz. O estudo visava compreender diferentes aspectos da imunidade do mosquito flebotomíneo Lutzomyia longipalpis durante a interação com o protozoário Leishmania, causador de uma doença chamada leishmaniose. Embora muita gente sequer desconfie, esses mosquitos apresentam diferentes respostas imunológicas contra patógenos, e entender como isso funciona contribui para o conhecimento científico,podendo levar a cura e prevenção de doenças. Tão logo concluí a graduação, prossegui para o mestrado em Biologia Celular e Molecular, também na Fiocruz. No mestrado, dei continuidade ao trabalho que fora iniciado durante a graduação, e, ao seu término, publicamos os resultados em uma revista científica internacional. Ainda na Fiocruz, conheci meu atual orientador, o professor Jayme Augusto de Souza Neto. Atualmente estou cursando doutorado em Genética, na Unesp, em Botucatu, e o meu modelo de estudo é o midiático mosquito Aedes aegypti. Meu objetivo neste estudo é compreender o papel que um gene chamado Akt exerce na fisiologia do mosquito, além de investigar sua participação durante infecções virais, tanto por dengue quanto por Zika vírus. Segundo relatos da literatura científica, o referido gene é associado a diversos aspectos da fisiologia de dípteros (grupo de insetos que inclui moscas e mosquitos), como metabolismo, proliferação celular, tolerância a estresse e tempo de vida, além de reprodução e ativação da resposta imune. Apesar de sua importância, já demonstrada em outros modelos animais, há poucos relatos sobre o papel deste gene em Aedes aegypti. É importante lembrar que estudos semelhantes ao que desenvolvo são classificados como ciência de base, justamente porque os conhecimentos que são gerados servem de alicerce para outros tipos de estudos, muitas vezes em áreas aparentemente desconexas. Um exemplo foi o despretensioso cruzamento de ervilhas realizado por um monge agostiniano servir como base para a genética clássica, com infinitas aplicações. Sim, estou falando sobre Mendel. Apesar da pesquisa aplicada ser essencial, ela obrigatoriamente precisa caminhar ao lado da pesquisa de base, sem a qual não existe benefícios diretos à população, como o desenvolvimento de vacinas, por exemplo. Em uma época em que a pesquisa de base precisa ser justificada e defendida, no universo da pós-graduação, esse não é o único inconveniente. Os estudantes frequentemente têm de lidar com outros inúmeros desafios, como falta de aumento das bolsas de estudo e escassez de verbas para a pesquisa. No entanto, o prazer de adquirir e produzir conhecimento novo, se não anula, ao menos minimiza os problemas citados. E é fundamental que haja esse espaço para que os estudantes possam contar, ainda que brevemente, sua trajetória acadêmica, contribuindo para esclarecer o que é feito, em parte, com o dinheiro público dentro das universidades.
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5 comentários:

  1. Parabéns Bruno! Orgulho de você amigo. Também concordo com você da importância do desenvolvimento da ciência de base, nesses tempos em que o dinheiro vai apenas pra quem produza pesquisa que seja "vendavel" no mercado.

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  2. Parabéns, Bruno!!! Você é um excelente profissional!!!!

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