Aba


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017 - Ciência na Medida





Mais um ano chega ao fim e nós, do Ciência na Medida, não poderíamos deixar de trazer para vocês uma retrospectiva com as notícias mais importantes no mundo da ciência do ano de 2017! Pega a pipoca e vem ver tudo o que rolou esse ano!
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

CSI 008: Extraordinário




Por Camila Cristina
cris_camila@yahoo.com.br


“Extraordinário” é um livro que conquistou o público, foi adaptado e estreou no cinema no mês de dezembro desse ano. Nós acompanhamos as novas experiências e dificuldades de um menino de 10 anos conhecido como Auggie que, pela primeira vez, irá frequentar uma escola regular. Porém, ele nasceu com uma síndrome genética que o deixou com deformidades faciais, fazendo com que ele passasse por diversas cirurgias e complicações médicas ao longo dos seus poucos anos de vida. Agora, Auggie quer convencer seus colegas que, apesar de sua aparência diferente, ele é um menino igual a todos os outros.


Auggie é portador da Síndrome de Treacher Collins (TCS), uma doença rara, causada pela mutação de alguns genes. Essa doença afeta o desenvolvimento de ossos e outros tecidos da face, e seus sintomas podem variar de quase imperceptíveis a graves. Alguns dos sinais clínicos observados são: ossos faciais (particularmente os ossos da bochecha) e boca subdesenvolvidos, maxilar e queixo muito pequenos, e ausência ou malformação nas orelhas e anormalidades oculares. Essas malformações podem causar graves problemas respiratórios, dificuldade de alimentação, perda auditiva e perda da visão.

A TCS ocorre em 1 a cada 10.000-50.000 indivíduos, aproximadamente, na população e afetando tanto homens quanto mulheres. Jono Lancaster (nascido no Reino Unido em 1985) é um dos portadores dessa síndrome e, assim como outras crianças, seus primeiros anos de vida foram marcados por bullying e pela dificuldade de aceitação e compreensão das pessoas. Agora, com 32 anos, Jono dedica sua vida para ser uma força para o bem e usar sua experiência para ajudar os outros, em todo o mundo, com a síndrome de Treacher Collins.


Para finalizar essa matéria deixo uma mensagem postada pela autora do livro “Extraordinário” na sua página (http://rjpalacio.com/author.html):

“Convido todos os leitores que foram tocados por “Extraordinário” e sua mensagem para assumir a promessa de escolher a gentileza. Comprometa-se a escolher ser gentil sempre que possível. Um ato de bondade pode fazer o dia de alguém e pode, às vezes, mudar a vida de alguém ”.

Para saber mais sobre a Síndrome, acessem:
https://ghr.nlm.nih.gov/condition/treacher-collins-syndrome
https://rarediseases.org/rare-diseases/treacher-collins-syndrome/
http://rjpalacio.com/book.html
https://rarediseases.org/rare-diseases/treacher-collins-syndrome/
https://www.youtube.com/watch?v=2YcWtpEwMZw

Sobre a autora: 
Camila: Biomédica e mestranda em Genética Humana e Médica pela UNESP de Botucatu.

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Fungo de Natal

Foto: "Árvore" de Natal de fungos em uma placa de Petri. Stephanie Mounaud, J. Craig Venter Institute, Rockville, Maryland, EUA. Topo: Talaromyces stipitatus; Ramos: Aspergillus nidulans; Bolas: Penicillium marneffei; Tronco: Aspergillus terreus. Foto obtida em: http://blogs.jcvi.org/2010/12/holiday-art/fungal-christmas-tree/

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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Como a ciência moderna pode ajudar a explicar a entrega dos presentes de Natal?





Por: Emiliana Weiss
emiliana.weiss@gmail.com



Não é de hoje que a figura do Papai Noel e a sua capacidade de entregar presentes em uma única noite a crianças do mundo todo chama a nossa atenção pela criatividade. A lenda sugere que o Papai Noel, figura inspirada no arcebispo São Nicolau, faz a entrega dos presentes aos lares de crianças bem-comportadas na noite da véspera do dia 24 para o dia 25 de dezembro. Se o Papai Noel realmente existisse, como podemos explicar essa história de forma científica? Primeiramente temos que levar alguns fatores em conta: (a) O fato de a terra ser redonda; (b) e que por esse motivo existe um fuso horário diferente em cada região do nosso planeta.

Sobre os movimentos da terra...

Precisamos relembrar que a Terra gira em torno de um eixo imaginário indo do pólo Norte até o pólo Sul, na Antártica. Por causa da inclinação do eixo, enquanto a terra percorre sua órbita, as regiões que recebem mais luz e calor mudam, fazendo com que em alguns lugares seja e dia e em outros noite. A Terra gira de oeste para leste, e por este motivo quando cai a noite do dia 24 de dezembro nos países mais a leste, como o Japão, Austrália e Nova Zelândia, ainda é dia do outro lado do mundo. Por exemplo, aqui no Brasil existe uma diferença de fuso horário de 12 horas com relação ao Japão. É importante perceber então que a noite de natal não acontece simultaneamente no mundo inteiro.

Figura 1: Foto mostrando o globo terrestre indicando os polos norte e sul, e os movimentos da terra do sentido Oeste para Leste. Por esse motivo, a noite de natal  não acontece simultaneamente na Terra inteira (Imagem retirada de https://www.significados.com.br/eixo-terrestre/).

Isso significa então que se o Papai Noel conseguir se movimentar de leste para oeste na mesma velocidade com que a Terra se movimenta de oeste para leste, ou seja em um movimento oposto ao de rotação da terra, ele tem 24 horas para entregar os presentes de natal a todas as crianças do mundo exatamente à meia-noite. Então se o Papai Noel começa a entregar os presentes no dia 24 de dezembro pelo extremo oriente (Japão, Coreia, China, Filipinas) e pela Oceania (Austrália, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné). Depois, ele pode seguir em direção ao oeste, enquanto estes lugares seguem madrugada adentro.

 Figura 2: A figura indica que o Papai Noel deveria se movimentar de Leste para Oeste a fim de ganhar mais tempo e conseguir entregar todos os presentes exatamente a meia noite do dia de natal. 

Então, chegamos a conclusão que para realizar todas as entregas, o Papai Noel precisaria de um veículo muito rápido... Levando em consideração que existem 2,2 bilhões de crianças no mundo, ele teria que visitar mais de 944 milhões de casas em menos de 5 segundos se ele quiser entregar todos os presentes exatamente a meia noite do dia 25 de dezembro. O que seria impossível, uma vez que ele teria que viajando pelo menos a  300 mil quilômetros por segundo! Isso porque ainda não estamos levando em consideração o peso de todos esses presentes... Em termos de comparação, o avião supersônico do DARPA,  aeronave capaz de voar mais rápido que a velocidade do som,  consegue chegar a “apenas” 21.000 km/hora, cerca de 0.00584 km/segundo. O que não seria suficiente para ajudar o Papai Noel a fazer a entrega dos presentes!

Figura 3: Nessa figura temos o avião supersônico do DARPA,  aeronave capaz de voar mais rápido que a velocidade do som (Imagem retiradad de https://www.tecmundo.com.br/aviao/12355-aviao-hipersonico-mais-rapido-do-mundo-sera-testado-hoje.htm).

Será que existem outras explicações para esse fato na ciência moderna? Elementos como “a nuvem da relatividade” e “buracos de minhoca” presentes na física moderna poderiam nos ajudar a explicar esse acontecimento.

Na teoria da relatividade de Einstein existe um postulado que sugere que o tempo e o espaço são relativos, pois dependem do ponto de vista do observador. Se o Papai Noel for capaz de manipular o tempo-espaço, ele poderia criar uma outra dimensão, chamada pelos cientistas de “nuvem da relatividade”. Dentro dessa nuvem o espaço, tempo e luz são percebidos de forma diferente quando comparados com o lado de fora desta nuvem.. Quem está do lado de fora da nuvem, consegue apenas ver um momento passageiro, como se segundos fora da nuvem representassem meses dentro da nuvem. Essa nuvem então daria ao Papai Noel tempo suficiente para visitar todas as crianças do mundo na noite de natal. Claro que até o momento nenhum cientista foi capaz de criar essa nuvem, mas a teoria da relatividade dá suporte a esta possibilidade.

Na teoria dos buracos de minhoca, o Papai Noel seria capaz de juntar pontos, como por exemplo diferentes casas, através de curvaturas do espaço-tempo. O Papai Noel seria capaz de criar portais dos quais poderia passar rapidamente de uma casa para outra, e até mesmo de um país para outro. Mas como o buraco de minhoca funciona? Imagine o desenho de sua casa no lado esquerdo de um pedaço de papel e a casa do seu vizinho, ou até mesmo um amigo distante no lado direito, com um caminho ligando as duas. A teoria do buraco de minhoca sugere que se dobrar este papel no meio, as casas agora estariam juntas, interligadas, e Papai Noel poderia viajar pelo papel sem ter que passar pela linha onde o caminho foi desenhado. Esse caminho que aproxima as diferentes casas seria o chamado buraco de minhoca.

Figura 4: A figura representa uma simplificação da teoria do buraco de minhoca. Nessa simplificação, o espaço continuo seria plano, como a folha de papel. Se desenharmos dois pontos distantes de um lado ao outro do papel, que seria a distância a ser percorrida,  o buraco de minhoca seria a capacidade de uma ligação entre dois pontos, onde eles se tocam, como está representado pelo lápis. Dessa forma seria muito mais fácil percorrer locais distantes (Imagem retirada de  https://en.wikipedia.org/wiki/File:Wormholevisualized.png ).

Dessa forma, o Papai Noel seria capaz de viajar por diversas casas, em um curto espaço de tempo, e realizar todas as suas entregas em 24 horas.

Figura 5: Representação do buraco de minhoca (Imagem retirada de https://resonance.is/traversable-wormhole-key-quantum-teleportation/).

Muito legal, né? Existem muitas outras teorias da física moderna que podem explicar o mistério por trás do Natal. Continue acompanhando a página e descobrindo curiosidades sobre o mundo da ciência.

Para saber mais, acesse:
https://www.tecmundo.com.br/aviao/12355-aviao-hipersonico-mais-rapido-do-mundo-sera-testado-hoje.htm
https://www.megacurioso.com.br/fisica-e-quimica/44478-viagem-no-tempo-por-um-buraco-de-minhoca-seria-possivel-mas-so-para-fotons.htm
The Physics of Christmas: From the Aerodynamics of Reindeer to the Thermodynamics of Turkey Paperback – 1 Nov 1999
by Roger Highfield  (Author)

Sobre a autora: Bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente estudante de mestrado do programa de pós-graduação em Ciências Biológicas – Genética da UNESP.

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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

A imagem do filho de Deus: quem realmente foi Jesus?


Por:
Talita Aleixo
talita.aleixo@ibb.unesp.br
 Ana Liz 
 lizuchida@gmail.com
O dia 25 de dezembro se aproxima e sem dúvida é uma data que, dificilmente, passa desapercebida por alguém independente de seu credo, religião ou filosofia. Isso porque esta data traz consigo uma série de ideias ligadas a bem feitorias, ideais de amor ao próximo e de renovação, sendo também quase impossível não ligar esta data a sua figura mais emblemática (e muitas vezes, misteriosa): Jesus Cristo.

Jesus Cristo (JC), aquele descrito na bíblia como salvador enviado por Deus, filho de Maria e José, traído por Judas, o que realizou a Santa Ceia, aquele que recebeu presentes dos três reis magos e que está sempre representado nos presépios e filmes que, de alguma maneira contam a sua trajetória são alguns fatos descritos sobre ele não necessariamente nesta ordem, é claro. Hoje, se perguntamos para qualquer pessoa “ já ouviu falar de Jesus?” Certamente ela responderá que sim. E se perguntarmos: Como era Jesus? Retirando algumas exceções, provavelmente a resposta seria: “ cabelos loiros, olhos claros e brancos. Mas, será que realmente foi assim? Quem realmente foi Jesus?

A figura de Jesus chamou a atenção de diversos pesquisadores e entenderam que é necessário compreender que existem duas figuras, conhecidas como: Cristo da Fé e o Jesus histórico. O primeiro seria o conteúdo da pregação dos discípulos que veem nele o Filho de Deus e o Salvador. Já o segundo, seria aquele que foi o pregador e profeta de Nazaré como realmente existiu sob César Augusto e Pôncio Pilatos.

A pesquisa sobre Jesus se debruça em fatos históricos registrados geralmente em manuscritos antigos que fazem referência à época em que ele viveu e também na comparação com as características físicas dos povos oriundos da mesma região que Jesus. Para desvendar a verdadeira aparência de JC, os pesquisadores utilizam as mesmas técnicas usadas para descobrir os rostos de criminosos. Crânios encontrados no local de origem de Jesus e datados da época em que viveu este homem são estudados através de radiografias e então programas de computador reproduzem a imagem real. Assim, este homem nasceu na Galileia, região ao norte de Israel e provavelmente, ele tinha características físicas como as da população local (cabelos cacheados e pele morena) bem diferentes do JC europeu representado nos filmes. Alguns manuscritos encontrados pela Universidade de Tel Aviv em Israel descrevem que Jesus tinha a pele “ mais escura” e que a criança era “ da cor da noite”.

As características físicas de JC é apenas um dos mistérios que envolvem a sua figura. Embora, atualmente, saiba – se cada vez mais sobre este homem, ainda restam muitos detalhes para explicar exatamente como foi sua trajetória. O que se sabe é que sua mensagem de humanidade e fé foi muito bem registrada pela bíblia e movimenta bilhões de seguidores.


Referências: 
http://segredosdomundo.r7.com/como-era-o-verdadeiro-rosto-de-jesus-cristo/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/jesus-nao-era-branco-a-jornalista-americana-que-ressuscitou-o-debate-sobre-a-cor-da-pele-de-jc/
https://sol.sapo.pt/artigo/490695/medico-diz-que-esta-era-a-verdadeira-cara-de-jesus-cristo
https://leonardoboff.wordpress.com/2013/10/13/a-tradicao-de-jesus-versus-a-religiao-crista/

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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O mistério da Estrela




Por: Beatriz Jacinto Alves Pereira
bia_jap@hotmail.com



Ah, o Natal! Época de trocar presentes, de encontrar amigos e familiares, tempo de festa!
Mesmo tendo muitos significados e sendo comemorado por diversas culturas, todos conhecem, mais ou menos, a história cristã do natal: O messias que nasceu numa estrebaria e foi visitado por pastores e sábios vindos do oriente, guiados por uma estrela que ficou ali, imóvel, sob a casa onde estava o menino. Mas seria possível um evento astronômico assim?
Hoje, trazemos para vocês algumas teorias que surgiram a respeito desse mistério e o que a ciência nos conta sobre isso:

  • Tudo Mitologia

Alguns estudiosos (e alguns religiosos também) acreditam que a Estrela de Belém não foi um evento astronômico. Analisando as descrições bíblicas, alguns grupos elencaram características inerentes a estrela que a tornam “única e incompatível com qualquer astro”: ela significa nascimento, reinado, está ligada as tradições do povo Judeu, entre outras. Dessa maneira, duas hipóteses são possíveis: toda a história da Estrela faz parte de uma mitologia complexa do cristianismo e nunca existiu de verdade, ou foi um milagre feito para cumprir uma profecia de milhares de anos.

  • OVNI

Embora não seja uma teoria cientifica, algumas pessoas acreditam na possibilidade de uma nave espacial ter aparecido e guiado os magos do oriente até o local do nascimento de Jesus. Entretanto, até o presente momento, nenhuma forma de vida inteligente foi identificada fora do planeta Terra e não há confirmação de existência de naves alienígenas, tornando essa hipótese bem improvável.

  • Evento astrológico: Conjunção dos planetas Júpiter e Saturno

Nessa teoria proposta por Johannes Kepler em 1614, uma conjunção desses planetas teria originado uma nova, o que é impossível, uma vez que a conjunção é apenas a aproximação visível desses planetas e a nova é a junção de uma estrela anã branca a matéria de outra estrela, o que a deixa instável e gera uma explosão. Kepler dizia que, para o povo da época, eventos astrológicos tinham grande significado e que uma conjunção poderia ser compreendida como um presságio de algo que viria a acontecer. Embora existam registros de conjunções desses planetas, as datas são irreconciliáveis.


Foto de uma conjunção dos planetas  Jupiter e Saturno observada da Terra 

  • A estrela era um cometa

Essa teoria de 2004 traz duas possibilidades: a de que o famoso cometa Halley passou pela Ásia, foi identificado e seguido pelos magos até Belém, ou outro cometa qualquer foi identificado pelos magos e seguido até Belém. Embora existam registros da passagem do Halley pela Ásia e que ele parecia “parar sobre algumas cidades”, as datas são bem controversas. Mesmo assim, outro cometa poderia reproduzir o mesmo “comportamento” e parecer parado sobre cidades específicas, como na história cristã onde a estrela estava parada sobre a cidade do menino Jesus.

Foto do cometa Halley tirada por satélite. 

  • Uma Supernova em Andrômeda

Partindo do evangelho de Mateus, da Bíblia, o cientista Dr. Frank J. Tipler da Universidade de Tulane, New Orleans, realizou uma série de cálculos e supôs a existência de uma supernova (que é quando uma estrela com massa de, pelo menos, 10 sois chega ao fim de sua vida gerando uma superexplosão) na galáxia de Andrômeda. Tipler partiu do princípio de que os sábios do oriente poderiam ser astrônomos ou astrólogos, de acordo com os evangelhos originais, e saberiam distinguir uma estrela de cometas, conjunções e afins; portanto, se eles relataram uma estrela, realmente poderia ser uma estrela. Sendo assim, o pesquisador assumiu que o astro foi visto antes do ano 0 antes de cristo, nascendo no Leste. A partir daí, calculou que uma supernova na galáxia de Andrômeda poderia ter sido vista na mesma data e local dos registros bíblicos, podendo ser a famosa Estrela de Belém.


Essas são algumas teorias. Qual delas você acha mais provável? Deixe seu palpite aqui nos comentários e Boas festas!

Quer saber mais sobre essas teorias? Siga os links!
http://www.bristolastrosoc.org.uk/www/media/Publications_BAS_Documents/the_star_of_bethlehem.pdf
http://129.81.170.14/~tipler/starofbethlehem.pdf
http://www.bethlehemstar.com/
http://www.siteastronomia.com/novas-e-supernovas-o-que-sao

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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A visão da ciência sobre o dogma cristão do nascimento virginal de Jesus






Por: Adauto L. Cardoso
adautolimacardoso@gmail.com


Dentre os vários dogmas cristãos relacionados à história de vida de Jesus Cristo, existe o de que Maria (sua mãe) o concebeu milagrosamente, por obra do Espírito Santo. Em outras palavras, isso significa que ela engravidou sem relação sexual com um homem. Além das questões religiosas e sociais que este dogma traz à tona, ele é bastante intrigante para quem conhece os fenômenos biológicos relacionados à reprodução humana.

A formação de um novo ser humano começa quando um espermatozóide fecunda um óvulo, formando o zigoto, que é a célula que se divide inúmeras vezes, até formar o embrião, o qual se desenvolve no útero até o momento do nascimento. Um óvulo não fecundado não pode se dividir e formar um novo indivíduo humano, então ele é eliminado durante a menstruação (Figura 1). É importante mencionar que apesar de raros, casos de formação de indivíduos sem fertilização (partenogênese) já foram registrados em alguns animais como lagartos e alguns invertebrados, mas nunca na espécie humana.

Figura 1. (A) Quando, no período fértil da mulher, ela libera um óvulo e este é fecundado por um espermatozóide, é formado o zigoto, a célula que tem as condições necessárias para se dividir e formar o embrião, o qual vai se desenvolver em um novo ser humano. (B) Por outro lado, se a mulher liberar um óvulo e este não for fecundado por um espermatozóide, ele é eliminado durante a menstruação.

Um outro detalhe sobre a fecundação dos gametas humanos é que ela é interna, o que significa que o homem precisa depositar os espermatozóides no aparelho reprodutor da mulher e isso acontece durante a relação sexual. Mas, hoje em dia, esse contato entre os gametas pode acontecer de forma artificial. Em uma clínica de reprodução assistida, o especialista na área pode utilizar espermatozóides de doadores para fertilizar óvulos e isso pode ser feito por colocação direta dos epermatozóides na altura da tuba uterina ou por fecundação in vitro, seguida de transferência do embrião para o útero. Portanto, mesmo considerando que a reprodução assistida seja uma alternativa para fecundação sem relação sexual, há cerca dois mil anos, quando Maria gerou Jesus, essa possibilidade não existia, já que o primeiro registro de nascimento de um indivíduo humano com uso da reprodução assistida aconteceu em 1978, com o primeiro bebê de proveta.

Uma questão que também coloca o dogma do nascimento virginal de Jesus em choque com a ciência tem a ver com os cromossomos. Na espécie humana, a o sexo é determinado por um par de cromossomos, que, por terem essa função, são chamados de cromossomos sexuais. As mulheres possuem um par de cromossomos X, enquanto que os homens possuem um cromossomo X e um Y. Uma vez que tanto homem como mulheres possuem cromossomos X, é a presença do cromossomo Y que determina o sexo do indivíduo. Jesus Cristo foi um homem, portanto possuía uma cópia do cromossomo X e outra do cromossomo Y em suas células. Maria, uma mulher, possuia duas cópias do cromossomo X em suas células. Assim, Maria, ou qualquer outra mulher, produziria apenas óvulos contendo cromossomos X e os homens produzem uma porção de espermatozóides com X e outra parte com Y (Figura 2). Portanto, considerando verdadeira a hipótese de que uma mulher poderia gerar indivíduos sem ocorrer fecundação do óvulo, todos os indivíduos gerados seriam mulheres. Neste caso, Jesus Cristo seria uma mulher. Assim, só é possível conceber Jesus como homem considerando que o óvulo que deu origem à ele tenha sido fecundado por um espermatozóide contendo um cromossomo Y.

Figura 2. Mulheres possuem um par de cromossomos X e, por isso, produzem apenas óvulos com cromossomo X. Por sua vez, possuindo um cromossomo X e um cromossomo Y, os homens produzem metade de seus espermatozóides contendo o X a outra metade contendo Y. Assim, durante a reprodução, o zigoto que for formado pela fecundação do óvulo por um espertozóide com cromossomo X dará origem a uma mulher, enquanto que o zigoto formado pela fusão de um óvulo com um espermatozóide com Y formará um homem.

Diante de todos estas explicações biológicas, a ciência não encontra suporte para o dogma do nascimento virginal de Jesus. Isso, no entanto, não deve ser utilizado como argumento para menosprezar ou ridicularizar as crenças religiosas, mas chama a atenção para a necessidade de questionarmos os fatos, buscando na ciência o suporte para reconstruir a história.


Sobre o Autor: Adauto Lima Cardoso é biólogo, mestre e doutor em Genética pela Universidade Federal do Pará e pela Universidade Estadual Paulista, respectivamente. Atualmente realiza pós-doutorado no Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP.

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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Brainbow


via GIPHY
Foto: Neurônios individualmente marcados no gânglio ciliar de embrião de galinha, aumento de 30X, microscopia confocal. Ryo Egawa. Escola de Medicina da Universidade de Nagoya, Nagoya, Japão. GIF produzido com o site https://giphy.com a partir do vídeo da Nikon Small World.


O tecido nervoso, que compõe órgãos como o cérebro e a medula espinhal,  tem dois tipos de células: as células da glia e os neurônios. Os neurônios são particularmente importantes, pois eles são os responsáveis pela transmissão de sinais que nos permitem movimentar, pensar e sentir o mundo ao nosso redor. Como cada neurônio tem sua própria rede de conexões, é interessante observá-los individualmente. Para isso, foi desenvolvida a tecnologia brainbow (brain + rainbow), que permite marcar cada uma dessas células com uma cor diferente.


 Foto: Brainbow do hipocampo de rato, aumento de 40X, microscopia confocal. Tamily Weissman. Departamento de Biologia Celular e Molecular da Universidade de Harvard, Massachusetts, EUA. Imagem obtida em Nikon Small World.


Foto: Brainbow de células de Purkinje, no cerebelo. Jeff Lichtman. Universidade de Harvard, Massachusetts, EUA. Imagem obtida em http://cbs.fas.harvard.edu/science/connectome-project/brainbow#.

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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Anticoncepcionais hormonais e câncer de mama: qual a relação?


Por:
João Paulo Marcondes 
jpcastromarcondes@gmail.com
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o câncer de mama representa 25% de todos os canceres diagnosticados na população feminina, sendo a principal causa de morte por câncer em mulheres.

É bem estabelecido que alterações nos níveis dos hormônios sexuais, como o estrógeno e progesterona, sejam um dos fatores de risco para o câncer de mama (Figura 1).
Figura 1: Esquema de um ducto mamário demonstrando que os hormônios estrógeno e progesterona estão envolvidos em todas as etapas do desenvolvimento do câncer de mama.

De um modo geral, a formação do complexo estrógeno-receptor de estrógeno altera a expressão ou o “nível de atividade” de diversos genes relacionados com a proliferação celular, que, posteriormente, poderá resultar na perda do controle sobre a proliferação das células, levando ao desenvolvimento e progressão (evolução para doença mais agressiva) do câncer de mama (Figura 2).
Figura 2: Formação do complexo estrógeno-receptor de estrógeno e ativação de genes que levam à proliferação celular.

Atualmente, em torno de 140 milhões de mulheres usam contraceptivos orais, o que corresponde a 13% da população mundial de mulheres entre 15 e 49 anos.

Embora tais medicamentos sejam eficazes no controle da natalidade, e, também, utilizados para o tratamento de mulheres com diagnóstico de ovário policístico, por exemplo, seu uso pode acarretar em alguns efeitos colaterais como a trombose e o acidente vascular cerebral , principalmente em fumantes. Além disso, embora diversos estudos tenham mostrado associação entre a utilização de anticoncepcionais e o risco aumentado para o câncer de mama (20% a 30% de aumento de risco), outros não evidenciaram aumento de risco. Adicionalmente, existem poucos dados sobre os efeitos das novas formulações de anticoncepcionais hormonais e as novas formas de utilização, como os dispositivos intrauterinos e implantes subcutâneos (Figura 3).

Figura 3: Formas de utilização dos contraceptivos hormonais. A) dispositivo intrauterino; B) anel vaginal; C) implante subcutâneo; D) adesivos cutâneos; E) pílulas de uso oral; D) injeções com ação de longa duração.
Entretanto, um estudo recente publicado na The New England of Medicine mostrou que mulheres que usam qualquer forma de contraceptivo hormonal apresentam, em média, risco 20% maior de desenvolver o câncer de mama em comparação com as mulheres que nunca utilizaram qualquer forma de contraceptivo hormonal. Em mulheres que usam o contraceptivo hormonal por mais de 10 anos, o risco para o desenvolvimento de câncer de mama chega a 38%, sendo que tal risco persiste por até cinco anos após a interrupção do uso. Neste estudo, os pesquisadores da Universidade de Copenhagen avaliaram 1,8 milhões de mulheres entre 15 e 49 anos, por um período de 10,9 anos.

Em o editorial que acompanha este artigo, o pesquisador David Hunter, da Universidade de Oxford, ressalta que o câncer de mama é relativamente raro em mulheres jovens e que os efeitos persistentes devem ser considerados como resultados preliminares. Além disso, o pesquisador lembra também que o uso de contraceptivos orais está relacionado a um menor risco para os cânceres de ovário, endométrio e intestino (coloretal).

Sobre o autor: Biólogo, pesquisador e apaixonado por animais abandonados.

Ficou interessado, acesse os links:

Português:

http://emais.estadao.com.br/noticias/bem-estar,mulheres-buscam-alternativas-a-pilula-como-metodo-contraceptivo-para-evitar-efeitos-colaterais,70001756607
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0102assistencia2.pdf

Inglês:
http://www.who.int/cancer/en
https://www.dovepress.com/the-crossroads-of-breast-cancer-progression-insights-into-the-modulati-peer-reviewed-article-OTT
http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1700732
http://edition.cnn.com/2017/12/07/health/hormonal-contraceptive-breast-cancer-intl/index.html
http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMe1709636
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

CSI 007: Star Wars





Por: Beatriz Jacinto Alves Pereira
bia_jap@hotmail.com


Uma das franquias cinematográficas mais rentáveis do mundo, lança hoje, 14 de Dezembro, seu nono filme: “Episódio VIII: Os últimos Jedi”.
É dia de Star Wars, bebê!




Dessa vez, a saga que começou em 1977, continua a história da jovem Rey que, finalmente encontra o mítico mestre jedi, Luke Skywalker, que estava recluso em uma ilha isolada. Enquanto a personagem de Daisy Ridley começa a entender o balanço da Força, Kylo Ren e o Primeiro Império se organizam para enfrentar a Aliança Rebelde.

Depois de 8 filmes, desenhos animados, personagens amados e muito mais, a Galáxia muito, muito distante e sua realidade, ainda nos fascinam. Ao longo dos últimos anos, diversas áreas da ciência têm encontrado paralelos entre nosso mundo e o universo cinematográfico de Star Wars:
A NASA encontrou alguns planetas semelhantes aos que aparecem em Star Wars e  psiquiatras analisaram a personalidade dos personagens.

Fonte: https://www.wpr.org/star-wars-fans-use-fictional-planet-tatooine-tool-explaining-science http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1039856215590032

Mas hoje, vamos investigar “a arma de um Cavaleiro Jedi. Uma arma elegante para uma era mais civilizada”.
Seria possível construir um sabre de luz?



De acordo com o Dr. Michio Kaku – atualmente professor na City University of New York – os sabres de luz não poderiam ser de laser, ao contrário do que o nome indica, devido a algumas de suas propriedades:
  1. Lasers são constituídos basicamente de luz amplificada por radiação, portanto, não poderiam ser mantidos na forma sólida. Assim, em um duelo, os sabres de luz se atravessariam.
  2. Lasers são invisíveis à luz do dia, então as “lâminas” seriam invisíveis, ao contrário do que vemos nos filmes.
  3. Até a luz pode carregar energia, mesmo não tendo substância ou massa e, até o presente momento, não encontramos maneiras de contê-la. Assim, uma batalha de sabres de luz destruiria tudo em volta!



Mesmo assim, o físico teórico encontrou uma solução para esse problema: o Plasma, quarto estado da matéria. O plasma é como um gás superaquecido com energia suficiente para cortar as mais diversas superfícies, com exceção da cerâmica, material utilizado para proteger espaçonaves em sua entrada na atmosfera terrestre devido à sua alta tolerância ao calor.

Em seu design, Dr. Michio Kaku utiliza nanobaterias de tubos de carbono para gerar energia a fim de aquecer o ar, transformando-o em plasma, que seria controlado por um campo magnético dentro de tubos de cerâmica com furos, por onde o plasma sairia e cortaria as mais diversas superfícies.


Toda essa tecnologia já existe, mas ainda precisa ser aprimorada então, por enquanto, ainda não é possível construir sabres de luz. Por enquanto...

Muito obrigada por nos acompanhar em mais uma investigação! Se quiser saber mais sobre esse possível sabre de luz e outros estudos envolvendo o universo de Star Wars, acesse os links abaixo!

Saiba mais: https://www.youtube.com/watch?v=xSNubaa7n9o&feature=youtu.be
http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1039856215590032
https://www.jpl.nasa.gov/news/news.php?feature=4792

Sobre a autora: Bacharel em Biologia pelo Instituto de Biociências de Botucatu - Unesp, mestranda em Ciências Biológicas (genética) no LGEM: Laboratório de genômica e evolução molecular 

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Minha querida pesquisa - Barbara G. Müller Coan



Barbara G. Müller Coan
Doutoranda em Patologia pela 
Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP)
MSc. em Biologia Geral e Aplicada 

pelo Instituto de Biociências (UNESP)
Especialização em Oncologia de Pequenos

 animais pelo Instituto Bioethicus (Botucatu, 
São Paulo) Bacharelado em Medicina Veterinária. 
Realizado no Centro  de Ciências 
Agroveterinárias da Universidade do 
Estado de Santa Catarina (CAV – UDESC). 
(Lages, Santa Catarina)


Sou doutoranda pela Patologia da Faculdade de Medicina da UNESP de Botucatu e orientada do Prof. Deilson Elgui de Oliveira. Faço parte do Virican, que é um grupo de carcinogênese viral e biologia dos cânceres, ou seja, um grupo que estuda como o câncer surge e progride, além de estudar os vírus que causam e/ou estão envolvidos no câncer.
Minha história com a pesquisa é recente apesar de estar graduada há quase dez anos. Desde pequena era fascinada pelo funcionamento das células e assuntos relacionados a ciência. Como também gostava muito de animais, decidi prestar vestibular na veterinária. Me graduei em Medicina Veterinária pela UDESC em 2008 e entrei no mercado de trabalho. Eu clinicava e fazia cirurgia em pequenos animais (cães e gatos). Durante os anos de trabalho, apesar de estar crescendo na carreira, não me sentia realizada.
Sempre gostei muito de estudar e sentia falta disso. Então, resolvi fazer uma especialização em Oncologia Veterinária, no Instituto Bioethicus em Botucatu (2012). Foi aí que tudo começou a mudar. Já nas primeiras aulas, que eram sobre biologia da célula cancerígena e técnicas moleculares (já, já, explico o que são essas palavras difíceis), me encantei! Decidi me mudar para Botucatu e fazer Mestrado e Doutorado.
No mestrado comecei a me dedicar à biologia do câncer e biologia molecular relacionado a microRNAs (miRNAs) envolvidos na progressão dos cânceres humanos (carcinoma de nasofaringe) relacionados à expressão de uma proteína (Proteína Latente de Membrana 1 - LMP1) do vírus de Epstein-Barr (EBV).
Mas o que são todas estas coisas? Bom, vou explicar para vocês.
Na biologia celular nós estudamos comportamento, função e compartimentos das células. Uma célula normal possui uma determinada função e age de maneira controlada. Por exemplo, um organismo complexo, como nós, se origina de apenas uma célula (junção do óvulo com o espermatozóide) e esta célula irá se multiplicar e chegará um ponto em que cada uma destas “células-filha” irão se diferenciar em um tecido, ou órgão. Ou seja, no início, aquela célula conseguia ter acesso a todo “manual” que a “ensina” como formar um corpo novo. Conforme ela se especializa, é como se colocássemos um grampo, um “clips”, em determinadas partes deste manual e a célula conseguisse ler apenas algumas páginas de um capítulo. Então esta célula se torna mais controlável e sabe exatamente o que fazer e quando.
No câncer, a história é diferente. A célula que se torna cancerígena consegue retirar “os grampos do manual” e consegue acessar partes deste “manual” que antes ela não conseguia. Com isso ela escapa da morte celular, se tornando imortal. Além disso, não precisa mais de sinais dizendo para ela: “você deveria se multiplicar”; ela faz isso sozinha, se multiplicando indefinidamente. Com isso, ela se torna um carro com o acelerador no máximo e o freio quebrado.
E o que faz uma célula normal virar cancerígena? Uma célula se torna cancerígena devido a alterações no seu DNA, que se trata de um código que a célula lê e interpreta; um “manual”. O DNA pode ser alterado por vários motivos, principalmente por agentes nocivos, como cigarro e bebidas alcoólicas, mas também por fatores comportamentais e hábitos (como consumo de carne vermelha e exposição solar). Além disso, existem alguns vírus que causam câncer, como o EBV (Vírus de Epstein-Barr).


O EBV, é um tipo de herpesvírus que infecta mais de 90% da população mundial. Ele passa pela saliva, por isso geralmente pegamos dos nossos pais na infância, ou na adolescência, por meio do beijo. Juntamente com a presença de agentes nocivos, ele pode levar ao câncer, principalmente linfomas (câncer de células brancas do sangue), de nasofaringe e gástrico (estômago).
Além de tudo isso, existem outros mecanismos que regulam a célula cancerígena. As proteínas virais (como a proteína LMP1 do EBV) e as vias intracelulares se comunicam entre si e uma das maneiras que isso ocorre é por meio dos miRNAs.
Os miRNAs são pequenos RNAs não codificantes. Mas o que isso quer dizer? Bem, para que o “código” da célula (DNA),  leve a formação de proteínas, é necessário um intermediário, chamado RNA mensageiro (RNAm). Porém nem todos RNAs formam proteínas, por isso são chamados de não-codificantes (pequenos ou longos). E você sabe o que os miRNAs fazem? Eles inibem os RNAm, impedindo que formem uma proteína, ou seja, tem papel regulatório negativo. A análise do DNA, RNA e miRNAs é feita usando o que chamamos de biologia molecular.


No meu mestrado, verifiquei que se analisarmos células com a LMP1 de diferentes variantes virais (com diferenças em seu código), há alteração em alguns miRNAs, provavelmente influenciando a quantidade de algumas proteínas e no comportamento da célula.
Agora, no doutorado, estou analisando estes miRNAs e sua influência no comportamento das células da nasofaringe. Para isso, analiso as células sob diferentes circunstâncias e verifico sua proliferação, movimentação, invasão em matriz (um tipo de gel), capacidade de formar novas colônias, além da capacidade de formar novos tumores e vasos sanguíneos, usando como modelo um peixinho chamado zebrafish ou paulistinha.
Hoje sei que todos os locais que trabalhei me ajudam nos dias de hoje. Todas as experiências já vividas me fazem perceber o quão realizada me sinto na pesquisa, e tenho convicção de que estou na carreira certa. É uma escolha que exige estudo e dedicação, coisas que são facilmente atingidas quando você realmente gosta do que faz!

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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

6 imagens sobre homenagens e coincidências da ciência e Star Wars

Todos nós estamos ansiosos para o lançamento do oitavo episódio da saga Star Wars nesta semana! Como aquecimento, trouxemos imagens incríveis de descobertas científicas nomeadas em homenagem a personagens da saga, além de fotos que coincidentemente lembram elementos dos filmes. Ainda, trouxemos curiosidades relacionadas a outras referências da cultura pop.


Mapa: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute, 2015. Informal Names for Features on Pluto’s Moon Charon [fotografia] Disponível em: http://pluto.jhuapl.edu/Multimedia/Science-Photos/image.php?page=1&gallery_id=2&image_id=262&keyword=121&search_cat

Referências

Yoda purpurata:
  •       Priede, I. G., Osborn, K. J., Gebruk, A.V., Jones, D., Shale, D., Rogacheva, A., Holland, N.D., 2012.  Observations on torquaratorid acorn worms (Hemichordata, Enteropneusta) from the North Atlantic with descriptions of a new genus and three new species. Invertebrate Biology, 131(3), p. 244-257.
  •   Shale, D., 2012. Yoda purpurata [fotografia] Disponível em: http://www.marinespecies.org/aphia.php?p=image&pic=64214.


Kepler-16b / Tatooine:

Chewie:
  •    Callaway, E., 2016. Meet Chewie, the biggest Australopithecus on record. [online] Nature. Disponível em: http://www.nature.com/news/meet-chewie-the-biggest-australopithecus-on-record-1.21144
  •         Masao, F. T., Ichumbaki, E. B., Cherin, M., Barili, A., Boschian, G., Iurino, D. A., Menconero, S., Moggi-Cecchi, J., Manzi, G., 2016. New footprints from Laetoli (Tanzania) provide evidence for marked body size variation in early hominins. eLife5, e19568.

Mimas / Estrela da Morte:


Charon fotografia:
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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Quando o cansaço requer muito mais que sombra e água fresca


Por:
João Zamae 
 joaozamae@gmail.com
Recentemente, a BBC americana publicou uma reportagem cujo título é “ Por que estamos todos tão cansados?” na qual ressalta como é generalizada nos adultos trabalhadores uma sensação de inércia mental e física que permeiam todo o cotidiano dificultando tarefas que antes eram simples, e principalmente o foco – e rendimento- no trabalho.

Exaustion, A History (ainda sem traduação para o português) no qual ela relata a visão ao longo da história dos médicos e filósofos a cerca dos limites da mente humana, do corpo e da energia de que dispomos. E no decorrer do livro um dos conceitos abordados é o do burnout .


O burnout refere-se a uma reação psicológica ao estresse crônico em virtude da carga de trabalho diária, manifestando sintomas de exaustão, cinismo e eficácia profissional diminuída. Não obstante, esse quadro a longo prazo predispõe os acometidos à doenças coronárias, diabetes tipo 2, infecções, dores musculoesqueléticas e sintomas depressivos diversos.

Segundo o levantamento histórico do livro de Schaffner, nunca houve cura para esse mal. No passado os pacientes eram orientados a descansar na cama, mas o tédio acabava aumentando seu sofrimento. Hoje as pessoas que sofrem de burnout podem receber terapia cognitivo comportamental (TCC) para ajudá-las a lidar com a exaustão emocional, entretanto, sem resultados positivos garantidos.

O assunto é tão relevante que somente no ano de 2017 foram publicados vinte e quatro mil estudos abordando o tema burnout, dentre os quais vale a pena destacar o trabalho realizado por três pesquisadores da Finlândia cujo foco é avaliar a eficácia dos tratamentos proposto para os quadros instalados de burnout.

Foram revisados 4430 estudos, os quais relatam 18 intervenções, sendo o procedimento mais comumente utilizado a TCC, e outros menos frequentes, como workshops, focados no desenvolvimento de habilidades no ambiente de trabalho, meditação, atividade física, um programa grupal de saúde relacionada ao estresse, entre outros.

Infelizmente, os resultados evidenciam que é impossível elaborar diretrizes sobre como tratar o burnout. Algumas intervenções mostraram sucesso na diminuição dos sintomas de burnout ou aumentando o retorno ao trabalho, enquanto outros não encontraram efeitos significativos. Só podemos concluir que uma intervenção focada individualmente não foi confiável. Estudos anteriores sobre o estresse e a prevenção do burnout mostraram resultados promissores quando terapias individuais e atividades focadas no trabalho foram combinadas.

Há o argumento de que nossos cérebros não são hábeis em lidar com o ambiente moderno de trabalho no qual a ênfase crescente em produtividade e a necessidade de estabilidade emocional deixam os trabalhadores em um estado permanente de "bater ou correr",estado para lidar com situações de perigo extremo e passageiro, mas se enfrentamos esse tipo de situação dia sim, dia não, encaramos um pico constante de hormônios do estresse com o qual nosso corpo não pode lidar.

E mais: para muitos, essa pressão não acaba no trabalho. Cidades (e dispositivos tecnológicos) estão sempre pulsando com vida, e essa cultura de "24 horas no ar" pode dificultar o ato de descansar a qualquer hora do dia ou da noite. Sem chances de recarregar nossos corpos e mentes, nossas baterias estão funcionando sempre em níveis perigosamente baixos. Sendo assim, meios de reestabelecer essa energia são essenciais, a depender de cada indivíduo - alguns podem precisar de estímulos como esportes radicais, enquanto outras podem preferir ler um livro. "O importante é delimitar as fronteiras entre trabalho e lazer", diz ela. "Tais fronteiras certamente estão sob ameaça."

Sobre o autor: Médico veterinário, especialista em oncologia animal, cursou residência e mestrado em patologia animal pela FMVZ-UNESP de Botucatu e atualmente é doutorando em oncologia pelo Programa de Patologia da FMB-UNESP de Botucatu, e membro do grupo ViriCan, onde investiga o uso de produtos naturais no tratamento dos cânceres.

Figuras originais retiradas de:
https://www.amazon.com.br/Exhaustion-History-Anna-K-Schaffner/dp/0231172303
https://revistadeciframe.files.wordpress.com/2011/02/burnout.jpg
http://www.ojornalzinho.com.br/wp-content/uploads/2017/09/421106552546296.jpg
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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Desvendando os antibióticos



Por: Alejandra Viviescas 
 mariale88@gmail.com



Os antibióticos são um conjunto de medicamento capazes de combater infecções bacterianas. Eles começaram a revolucionar a medicina em 1928, quando o bacteriologista Alexander Flemming, observou que as bactérias não cresciam em uma placa de Petri que estava contaminada com um fungo do gênero Penicillium. A partir desta observação, Flemming sugeriu que o fungo produzia uma sustância capaz de inibir o crescimento das bactérias.

 Em 1940, os químicos Howard Florey e Ernst Chain isolaram e estabilizaram o composto, hoje conhecido como penicila, na forma de medicamento. A Penicilina se tornou assim, o primeiro antibiótico a ser usado na prática clínica. O uso deste antibiótico foi tão importante para salvar vidas, especialmente durante a segunda guerra mundial, que em 1945 os três cientistas receberam o prêmio Nobel de fisiologia ou medicina.

De esquerda à direita: Alexander Flemming, Ernst Chain e Howard Florey. Ganhadores do Prêmio Nobel de fisiologia ou medicina em 1945 “pelo descobrimento da penicilina e seus efeitos curativos em várias doenças infecciosas”.

Hoje em dia existem diversos tipos de antibióticos, mas todos se baseiam no mesmo princípio: eles matam ou evitam que as bactérias se reproduzam, sem alterar as células humanas, ou animais. Isto é possível porque, embora todas as células compartilhem muitas características, há também vários aspectos metabólicos diferentes entre as células eucariotas e as células bacterianas. Assim, os diferentes tipos de antibióticos alteram um processo biológico importante nas bactérias, neutralizando a infecção bacteriana.
Desde seu estabelecimento, em 1940, os antibióticos têm salvo incontáveis vidas e, aliado às vacinas, têm feito com que doenças como a tuberculose, que antigamente era uma sentença de morte, hoje em dia seja facilmente controlada.

Porém, sua alta efetividade e facilidade de acesso fizeram com que os antibióticos fossem usados indiscriminadamente, tanto na medicina quanto na indústria alimentar e, hoje em dia, estamos vendo surgir várias complicações associadas ao uso indevido destes medicamentos.

Por exemplo, os antibióticos são úteis somente para tratar infecções bacterianas. Eles não servem para tratar viroses, como o resfriado ou a gripe, ou micoses, que são causadas por fungos. Mas, mesmo assim, as vezes tomamos antibióticos para doenças que não devem ser tratadas com estes medicamentos. Às vezes, também, tomamos antibióticos de forma preventiva, para evitar infecções no futuro e antibióticos são usados na indústria da carne, para evitar infecções no gado. Tais utilizações são usos indevidos dos antibióticos, que podem levar ao surgimento de bactérias resistentes.

As bactérias resistentes conseguem se reproduzir mesmo na presença de altas doses de diferentes antibióticos e, hoje em dia, são consideradas pela Organização Mundial da Saúde como um problema grave, que ameaça a vida de todas pessoas, sem importar o continente, o nível socioeconômico ou a idade.

Novas alternativas de tratamento às infecções causadas por bactérias resistentes estão sendo desenvolvidas, mas elas vão demorar para estar disponíveis ao público. Se a sociedade não começar a usar os antibióticos de maneira responsável, as bactérias resistentes continuarão surgindo, independentemente do desenvolvimento de novas drogas.

Os antibióticos são medicamentos poderosos, que salvam vidas todos os dias. Porém, seu uso indiscriminado pode trazer problemas graves, como o surgimento das "superbactérias", resistentes à todos os antibióticos conhecidos.

É importante conhecer como os antibióticos funcionam e para que eles servem, somente assim poderemos fazer bom uso deles, aproveitando ao máximo seu potencial. Para isso, devemos reduzir seu uso ao máximo e usá-los exclusivamente para tratar infecções bacterianas.


Sobre a autora: Bióloga e mestre em biologia pela Universidade Nacional da Colômbia, estudante de Doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela UNESP-Botucatu. Editora desta página de divulgação científica. 
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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

CSI 002: Homem-Aranha


Por:
Carolina S. Santos
anacarol1712@gmail.com
 Camila Cristina 
 cris_camila@yahoo.com.br
Quem nunca assistiu Homem-Aranha e ficou morrendo de vontade de poder escalar paredes e soltar teias? Será que se eu deixar uma aranha modificada geneticamente me picar ela pode me transformar em um super-herói?



Quando uma aranha pica o homem, ela inocula nele o seu veneno, porém na maioria das vezes ele não é tóxico. Alguns tipos de veneno podem provocar reações que podem causar desde uma irritação local até mesmo a morte, dependendo da espécie da aranha. Entretanto, a  transmissão de características genéticas  que permitiria escalar paredes fica por conta do Stan Lee!



A habilidade das aranhas de escalar paredes vem da presença de minúsculos pelos nas suas pernas. Ao olho nu, aquelas pequenas aranhas não aparentam ser peludas, porém suas pernas estão cobertas por pelos e esses pelos ainda são cobertos por pelos ainda menores que ajudam na adesão a uma superfície plana, como se fosse uma camada adesiva. Esses pequenos pelos são responsáveis por gerar a chamada força van der Waals, que confere às aranhas uma espécie de retenção magnética com a superfície. É como se esses pelos funcionassem como pequenos ímãs, que permitem com que as aranhas fiquem aderidas a uma superfície (Figura 1).

Figura 1: Estruturas responsáveis pela adesão. A: Esquema demonstrando os pelos responsáveis pela aderência das aranhas. B: Fotos demonstrando as estruturas de aderência dos lagartos (gecos). 
Podemos imaginar que aranhas maiores teriam mais dificuldade em se aderir, e isso realmente ocorre! Animais maiores possuem, além dos pelos, uma camada adesiva que os matem aderidos nas paredes pelo mesmo princípio da  da força de Van der Waals.



Os pesquisadores observaram que os animais mais pesados com a capacidade de caminhar na posição vertical ou no teto são os gecos. Assim, para que o ser humano possa escalar paredes da mesma forma que lagartixas, aranhas e até mesmo o Homem-aranha, seria preciso que ele possuísse, também, estruturas de “fixação” adesivas recobrindo 40% do corpo (Figura 2), O que tornaria as escaladas impraticáveis, já que grande parte de seu corpo estaria  preso à parede. Hipoteticamente, um super-herói humano poderia se agarrar às paredes e ter melhor capacidade de manobra se tivessem pés muito grandes, mas eles teriam que ser enormes.

Figura 2:  Esquema demostrando qual a porcentagem de área corpórea coberta por estruturas de aderência, em diferentes espécies, que seria necessária para escalar paredes.  

Outra habilidade do Homem-aranha é a de lançar teias, porém organicamente falando, para um humano ter a mesma capacidade da aranha, ele precisaria possuir glândulas sericígenas que seriam capazes de secretar um tipo de proteína em estado líquido, que ao entrar em contato no ar se solidificaria, permitindo tecer a teia.



Nos três primeiros filmes do Aranha, a teia era produzida pelo próprio organismo do nosso herói, Entretanto, nos quadrinhos e nos últimos filmes lançados (incluindo o lançado recentemente, “Homecoming”), Peter Parker usa suas habilidades cientificas para criar um pequeno dispositivo que ele usa nos pulsos para disparar uma espécie de teia sintética. Mas se a teia utilizada por Peter Parker for sintética, ele terá vários problemas, pois precisá torna-la tão resistente como a que é produzida pelas aranhas. O primeiro desafio seria acoplar um material muito resistente para ele se pendurar e carregar todo o fluido necessário para produzir uma teia. Além disso, seria necessário um lançador compacto e produzido com material extremamente leve, onde as teias sintéticas seriam armazenadas em cartuchos sob pressão.


E essa foi a nossa investigação CSI002! Qual próximo filme ou série vocês querem investigar?! Mandem nos comentários as suas sugestões e dúvidas.

Sobre as autoras: 
Camila: Biomédica e mestranda em Genética Humana e Médica pela UNESP de Botucatu.
Carolina: Biomédica, doutoranda na área de Genética de Microrganismos pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Genéticas) do IBB/UNESP Botucatu.

Quer saber mais? Veja os links abaixo:
http://www.thescienceof.org/physics/wall-crawling-spider-man-geckos-van-der-waals-forces/
http://osupernerd.com.br/quadrinho/lancador-de-teias-como-funciona/
http://www.cam.ac.uk/research/news/why-spider-man-cant-exist-geckos-are-size-limit-for-sticking-to-walls
https://www.youtube.com/watch?v=x14qTxU5jFA
https://www.youtube.com/watch?v=wETHkxFDmeQ

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